Utilizando dados oficiais da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), o grupo ambiental Zero destacou as significativas emissões de gases de efeito estufa provenientes de várias formas de produção de eletricidade. A análise indica que a forma mais poluente de geração de eletricidade, exceto pelo uso de diesel na Madeira, é a incineração de resíduos municipais.
Os níveis de emissão provenientes da incineração no continente quase dobram aqueles do gás natural fóssil e da cogeração fóssil. Nos Açores, as emissões de gases devido ao uso de diesel são extremamente altas, mas a incineração resulta em emissões ainda maiores. Na Madeira, o uso de diesel libera mais gases do que a incineração.
“Desde 2006, há evidências de que a incineração de resíduos municipais (RU) é um dos métodos mais poluentes para a produção de eletricidade no sistema elétrico nacional, apesar de ter sido subsidiada como energia renovável durante vários anos”, afirma a Zero em sua declaração.
As altas emissões são atribuídas a materiais de carbono fóssil, como plásticos, presentes nos resíduos. Além disso, a baixa eficiência energética é causada pelo alto teor de água nos resíduos, especialmente devido ao bioconteúdo.
A associação alerta para os “interesses ligados ao setor de incineração de resíduos” que tentam persuadir o país a gastar mais de um bilhão de euros na construção de mais incineradores, os quais não podem ser financiados por subsídios comunitários.
Defendem melhores alternativas à incineração, enfatizando a importância da separação eficiente de resíduos, incluindo a biowaste, e o pré-tratamento de todos os resíduos não diferenciados.
As plantas de tratamento mecânico e biológico (TMB) podem desempenhar um “papel crucial” no tratamento de resíduos não diferenciados, oferecendo benefícios climáticos, ajudando na fixação de carbono no solo, permitindo a produção de energia renovável (biometano) e reduzindo as emissões nos processos de produção de energia.
A Zero enfatiza a importância do governo, dos sistemas de gestão de resíduos e, particularmente, dos municípios, entenderem que existem maneiras mais sustentáveis e econômicas de gerenciar os resíduos urbanos, com emissões reduzidas de gases de efeito estufa.









