“É crucial entender que este é um caso extremamente sério. É frequentemente dito, e é absolutamente verdadeiro, que ninguém está acima da lei e que até o Primeiro-Ministro pode ser investigado. Isto não está em questão; no entanto, o sistema de Justiça também não está acima da lei, e essas escutas telefônicas foram realizadas sem a autorização necessária de um tribunal, neste caso, o Supremo Tribunal de Justiça,” enfatizou a candidata.
Durante um evento de campanha realizado no final da manhã no Mercado da Benfica, a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda (BE) reiterou a noção de que ninguém está acima da lei, razão pela qual “nem o Ministério Público nem o sistema de Justiça podem estar nesse nível.”
“Acredito que esta é uma questão extremamente séria do ponto de vista do Estado de direito, porque quando a Justiça não aplica a Justiça, cria uma insegurança absoluta. Não se trata de António Costa; diz respeito a todos os cidadãos deste país saberem que a Justiça pode operar fora da lei. É necessário um aprofundado debate neste país, e espero que, primeiramente, os órgãos apropriados responsáveis pela supervisão das ações da Justiça atuem prontamente e forneçam explicações à nação. Isto é verdadeiramente um problema de Estado de direito, nada menos,” enfatizou a ex-eurodeputada.
Catarina Martins, por outro lado, defendeu uma reforma no setor da Justiça, “algo que tem sido falado há muito tempo,” enfatizando a igualmente necessária “supervisão das ações da Justiça e uma explicação democrática mais eficaz de suas ações, porque casos como este não podem acontecer.”
<p“Há uma necessidade de uma grande mudança no sistema de Justiça, garantindo o acesso de todos à Justiça, já que vivemos em Portugal sob um regime onde, na verdade, há Justiça para quem pode pagá-la e falta de Justiça para quem não pode, para aqueles que não têm dinheiro para ir a tribunal,” raciocinou.
Quando questionada se o Ministério Público tem conseguido influenciar a política portuguesa nos últimos anos, Catarina Martins recordou que houve “problemas recorrentes,” destacando o exemplo de vazamentos de segredos judiciais, “que mostram como pode ser manipulado e frequentemente vinha diretamente da Justiça.”
“Isto é um problema porque as pessoas são condenadas a olho nu sem terem o direito de se defender. Depois há questões que deveriam ser investigadas e nunca o são. Portanto, sim, temos um problema com o sistema de Justiça. Acredito que a questão da Justiça pode ser resolvida ao exigir um sistema de Justiça mais democrático, mais democrático na transparência de seus procedimentos e no acesso à Justiça, porque a Justiça não pode ser para quem pode e não pode ser para quem não pode,” acrescentou.









