“Para mim, é uma grande honra quando alguém diz que, após participar do workshop, entendeu como deveria estudar e achou muito útil. Fico encantado quando isso acontece,” comentou o músico no auditório do Centro Cultural Português em Praia, cercado por estudantes de escolas de música, cantores e instrumentistas.
“Em uma hora e meia, não é possível ensinar muito, mas acho que podemos oferecer dicas” para “motivar” e isso representa outra faceta do pianista português, abrindo portas para sua experiência: “o que estudei, o que me motivou e empolgou, o que me frustrou.”
O público é diversificado, variando da mais jovem, Joana Lopes, de nove anos, que já demonstra habilidade no piano, a Bertânia Almeida, uma das recentes revelações vocais de Cabo Verde.
“Vim conhecer o novo professor. Toco piano porque gosto e isso me faz feliz,” afirma Joana, enquanto Bertânia levanta questões sobre a abertura do repertório tradicional a novas influências: “às vezes, nessa jornada musical, encontramos alguns obstáculos, resistências, e há um desejo de dar outros passos.”
Nesse contexto, “é sempre bom ouvir alguém que já percorreu outro caminho,” como Mário Laginha, com suas colaborações e estilos diversos.
Bertânia acredita que é importante “preservar o tradicional,” mas também que deve haver espaço para “os jovens tentarem coisas novas” e uma “masterclass” com Mário Laginha parece para ela um lugar inspirador.
“Não conheço os participantes, tento adaptar o que farei, não é algo rígido. Vou tentar ser o mais útil possível,” promete o pianista, que é apaixonado por “diversidade”, onde todos têm “algo a aprender uns com os outros.”
Esse contexto de compartilhamento ganha ainda mais força em Cabo Verde, diz ele, porque “é um país com uma grande profusão de talentos musicais. Acho que é uma sociedade muito musical, com muitas pessoas tocando diferentes estilos, diferentes instrumentos,” um talento que parece fazer parte de seu DNA.
Foi nesse ambiente que ele conhece Tcheka (Manuel Lopes Andrade) há dez anos.
“Fiquei deslumbrado com o que ouvi,” recorda Laginha.
“A possibilidade de tocar juntos nasceu e nunca paramos,” combinando piano com a guitarra e a voz de Tcheka, um cantor e compositor que vai além do comum.
A dupla fez sua estreia agora no arquipélago como parte de uma iniciativa do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, no âmbito da programação do Centro Cultural Português, com concertos em Praia (na última quinta-feira) e Mindelo (hoje, com o apoio do município).
Além dessa organização, outro show está sendo preparado para sexta-feira, 28 de novembro, na Cidade Velha.
Entre concertos, uma “masterclass” e encontros improvisados, Mário Laginha diz que é “improvável” não ouvir “algo ou encontrar alguém que não seja estimulante do ponto de vista musical.”
“Minha atividade musical está sempre ligada à ideia de compor mais músicas, conhecer, tocar com pessoas diferentes, experimentar, correr riscos (…). Tudo influenciará o que farei,” conclui, à beira do lançamento de um álbum solo “no início do próximo ano”—seu segundo, em uma carreira que privilegiou apresentações ao vivo.









