Mãe revela ter tentado assassinar filho duas vezes no Hospital Pediátrico de Coimbra – PPulse

Mãe revela ter tentado assassinar filho duas vezes no Hospital Pediátrico de Coimbra - PPulse

O testemunho da mãe de 20 anos foi ouvido a portas fechadas após ela expressar ao painel de juízes que se sentia inibida em fazer declarações com a presença de outras pessoas, revelou o juiz presidente, Cabral Fernandes, após a audiência.

“O tribunal considerou justificado desocupar a sala para ouvir o testemunho da ré,” explicou Fernandes ao reabrir a sessão.

Ele informou os presentes e a mídia que a ré, em seu testemunho, “confessou plenamente, quase sem reservas, os fatos” dos quais é acusada.

A jovem é acusada de tentar assassinar seu filho duas vezes entre 31 de dezembro de 2024 e 2 de janeiro de 2025, enquanto o bebê estava na UTI do Hospital Pediátrico de Coimbra devido a problemas de saúde decorrentes de uma doença genética que causa deficiências no desenvolvimento, intelectuais e físicas, infecções respiratórias frequentes, e anomalias cranianas e esqueléticas.

Em duas ocasiões distintas, a ré colocou bolas de algodão e papel no tubo de ventilação da traqueia, causando, na segunda tentativa, uma parada cardiorrespiratória na vítima.

Após sua confissão completa, as testemunhas relacionadas ao caso foram dispensadas, e o julgamento prosseguiu imediatamente para os argumentos finais.

A defensora admite a gravidade do crime, mas ressalta a necessidade de considerar as circunstâncias sob as quais os crimes ocorreram.

“Não podemos negar ou esquecer que esta mulher confessou os fatos, nem podemos ignorar que não possui antecedentes criminais e foi motivada por diversos medos evidentes em suas declarações,” observou ela.

A advogada recordou o medo da ré de que a criança não se desenvolvesse “dentro dos padrões normais” e argumentou que suas ações foram uma “tentativa equivocada de misericórdia ou de poupar o filho do sofrimento.”

Embora isso não diminua a gravidade das ações da ré, ajuda “a entender o que estava acontecendo em sua mente, ligado a uma depressão não diagnosticada,” afirmou, confiando no tribunal para administrar a justiça que considere o contexto dos supostos crimes.

O promotor que representa o interesse público descreveu a ré como tendo uma “personalidade desequilibrada e instável,” destacando que após a primeira tentativa, ela prosseguiu com uma segunda tentativa de tirar a vida do bebê.

O promotor sustentou que a ré tentou acabar com a vida do bebê “por egoísmo, não por compaixão,” e refutou as alegações de depressão pós-parto ou alterações hormonais, visto que as tentativas ocorreram cinco meses após o parto (de acordo com o site do Serviço Nacional de Saúde, a depressão pós-parto afeta “entre 10 e 15% das mães” e pode surgir logo antes do parto “e/ou ao longo do primeiro ano após o parto”).

A acusação argumentou que havia “falta de valor pela vida do filho” e frieza nas suas ações, advocando por uma pena de prisão efetiva para a ré.

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

axLisboa.pt
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.