Líderes globais anunciaram na Cimeira do Clima, realizada em Belém, Brasil, a formação de uma coligação destinada a estabelecer e regular os mercados de créditos de carbono como uma estratégia no combate às mudanças climáticas.
O objetivo da coligação, que inclui a participação da China e da União Europeia, é a criação de um mercado mundial de carbono, que integre os sistemas nacionais já existentes e defina um preço de referência internacional para cada tonelada de emissões de dióxido de carbono evitadas.
<p“O objetivo da Coligação Aberta é explorar opções que promovam a interoperabilidade a longo prazo dos mercados de carbono regulamentados existentes”, menciona o documento divulgado na sexta-feira. A declaração sobre a Coligação Aberta para os Mercados de Carbono Regulamentados busca facilitar a troca de experiências e fortalecer a cooperação internacional na regulação da negociação de créditos de carbono.
A coligação se apresenta como um fórum voluntário que busca harmonizar metodologias e promover a transparência nos sistemas de negociação de créditos de carbono, que, segundo os líderes, “têm se mostrado eficazes para impulsionar a descarbonização e apoiar os países a cumprir suas metas de ação climática”.
De acordo com o documento, a iniciativa visa “fomentar a aprendizagem conjunta” e compartilhar as melhores práticas em monitoramento, relatórios e verificação, contabilidade de carbono e na utilização de créditos de alta integridade.
A declaração reconhece a “crescente relevância” dos mercados de créditos de carbono para auxiliar os principais emissores de gases de efeito estufa a honrar os compromissos do Acordo de Paris. Nesse acordo, aprovado há 10 anos em Paris, os países se comprometeram a evitar que as temperaturas aumentem mais do que dois graus Celsius (ºC) em relação à era pré-industrial, estabelecendo 1,5ºC como meta.
Os membros da coligação acreditam que a coordenação entre os países pode ajudar a gerar liquidez, previsibilidade e confiança nos mecanismos de precificação dos créditos de carbono. A coligação foi lançada com a participação inicial do Brasil, Reino Unido, Canadá, Chile, Alemanha, México, França, Armênia e Zâmbia, embora o texto abra espaço para novos membros.
O Ministério das Finanças do Brasil, responsável pela proposta, destacou que a iniciativa busca conectar as experiências de economias desenvolvidas e emergentes para reduzir a fragmentação existente entre os diferentes sistemas de negociação de créditos de carbono. O Brasil está avançando na criação de um mercado de carbono regulamentado, com um projeto de lei em discussão no parlamento.
A iniciativa faz parte dos esforços da 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30) para acelerar a implementação de políticas climáticas e promover soluções baseadas no mercado que contribuam para a descarbonização global.
A cimeira de líderes serve como prelúdio à COP30, que começa na segunda-feira.









