Advogado renova pedido de dissolução do Chega: Sem lista “há mais de 6 anos” – PPulse

Advogado renova pedido de dissolução do Chega: Sem lista "há mais de 6 anos" - PPulse

O advogado António Garcia Pereira voltou a apelar ao Procurador-Geral da República, Amadeu Guerra, solicitando o início de um processo para a dissolução do Chega, uma vez que o partido liderado por André Ventura não apresentou uma lista atualizada e válida dos membros do seu órgão nacional desde agosto de 2019.

“As ilegalidades são maiores do que inicialmente se pensava. Por isso, enviei um segundo pedido ao Ministério Público (MP) junto do Tribunal Constitucional (TC), com novos fundamentos para declarar a dissolução do partido Chega,” escreveu o professor universitário em documento disponibilizado ao Notícias ao Minuto.

Utilizando o Artigo 18 da Lei dos Partidos Políticos, Garcia Pereira lembrou que “o TC decreta, a pedido do MP, a dissolução de partidos políticos que não comunicam uma lista atualizada de membros do órgão nacional durante um período superior a seis anos.”

“A última comunicação desta lista atualizada por parte do Chega é conhecida por ter ocorrido em agosto de 2019, o que claramente ultrapassa os seis anos,” afirmou.

O advogado destacou que a dissolução do partido de André Ventura “é um dever oficial do MP, não requerendo qualquer queixa ou iniciativa processual de nenhum indivíduo.”

“O MP está legal e constitucionalmente obrigado a defender a legalidade democrática, e essa defesa não pode ser desconsiderada ou omitida, independentemente da natureza, idade ou tamanho de quem potencialmente a viole. É também surpreendente que, dado a profusão, seriedade e repetição ao longo do tempo das situações ilegais do Chega, o MP não tenha adotado as medidas oficiais legalmente exigidas,” enfatizou.

“Todos os órgãos de liderança do Chega agem à margem da lei”

Ao longo do pedido de nove páginas, o professor universitário mencionou ainda que o TC “tem sucessivamente declarado, precisamente devido a várias e graves violações legais, a invalidade de resoluções e eleições consecutivas dos órgãos nacionais do Chega” desde 2020, “além de numerosos casos de líderes e deputados do Chega, tanto locais como regionais e nacionais, envolvidos – e vários até acusados e condenados – em processos criminais de particular gravidade.”

“Todos os órgãos de liderança do Chega, começando pelo seu presidente, têm agido claramente à margem da lei há anos, uma vez que todos os atos eleitorais e resoluções de convenções sucessivas desde setembro de 2020, nomeadamente alterações estatutárias e eleição de titulares dos órgãos nacionais, têm sido repetidamente declarados inválidos por várias decisões consecutivas do TC, e, portanto, esses mesmos órgãos de liderança do Chega encontram-se em manifesta e contínua violação da lei,” resumiu.

O advogado António Garcia Pereira apresentou uma queixa ao Procurador-Geral da República, Amadeu Guerra, contra o Chega, solicitando que o Ministério Público (MP) inicie o “procedimento para pedir a dissolução” do partido liderado por André Ventura.

Daniela Filipe | 15:47 – 30/10/2025

Com um toque de ironia, Garcia Pereira também indicou que “é um fato bem conhecido que o partido político Chega não só se diz um defensor inabalável da lei e um opositor do que (notadamente no ponto 13 do capítulo III B2 do seu programa de 2019) refere como ‘um clima de impunidade generalizada’, mas também ataca e difama continuamente grupos sociais específicos, como imigrantes e ciganos, acusando-os de não respeitarem a lei, a lei que o Chega supostamente cumpre exemplarmente.”

O advogado detalhou que o Chega tem contribuído para a “degradação e destruição contínua” das instituições democráticas, pois ao “perseguir os seus objetivos por meios claramente e repetidamente ilícitos,” torna a sua existência “contrária à ordem pública (que tanto proclama que deve ser respeitada e defendida por outros, especialmente os grupos sociais que critica e ataca continuamente…).” De acordo com o solicitante, isso constitui “um novo fundamento e causa para a dissolução do próprio partido Chega, por decisão judicial e a pedido do MP.”

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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