“A ABESD — Associação pela Defesa dos Vítimas do BES — considera profundamente simbólico que, no próprio dia em que o Estado conclui a venda do Novo Banco, a Polícia Judiciária realize buscas na instituição e no seu auditor,” afirmou a associação em comunicado.
Segundo a associação, esta coincidência é irónica, “senão até reveladora de uma certa justiça moral,” salientando que a confiança no sistema financeiro continua abalada.
A ABESD também argumentou que o processo de venda do Novo Banco não pode ser apresentado como um sucesso enquanto existirem ainda 1.900 pequenos poupadores sem qualquer compensação.
A associação insistiu que a restauração da confiança no sistema financeiro português exige a reparação das vítimas, compensação do Estado, o rápido julgamento dos responsáveis e uma supervisão reforçada.
“Estima-se que o julgamento criminal não concluirá antes de 2028, e a ABESD questiona quantos crimes prescreverão até lá, quantos fundos apreendidos dos réus serão liberados e como pode ser restaurada a confiança se o Governo não tomar medidas,” alertou.
A Polícia Judiciária realizou buscas hoje na sede do Novo Banco e nas instalações da consultoria KPMG em Lisboa, confirmou uma fonte oficial da polícia, que se absteve de fornecer mais informações.
Segundo a CNN Portugal, que noticiou em primeira mão as buscas, as suspeitas envolvem crimes relacionados com a venda de ativos do extinto Banco Espírito Santo.
O Ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, afirmou hoje que a operação de venda do Novo Banco reforça a diversificação do sistema bancário nacional e previne “concentrações excessivas.”
“Esta operação reforça a diversificação do sistema bancário nacional, prevenindo concentrações excessivas e assegurando o equilíbrio e a competitividade do mercado financeiro português,” declarou Joaquim Miranda Sarmento na cerimónia de assinatura dos acordos para a adesão do Estado português e do Fundo de Resolução ao contrato de venda do Novo Banco em Lisboa.
O ministro foi o último a falar em que descreveu como “um momento de especial significado.”
Em junho deste ano, a venda foi acordada com o grupo bancário francês BPCE por 6,4 mil milhões de euros.









