Um megaprojeto no valor de 20 mil milhões de dólares (17 mil milhões de euros), liderado pela petrolífera francesa TotalEnergies, encontra-se em questão. O seu progresso foi prejudicado nos últimos quatro anos pelos ataques terroristas na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.
O consórcio Mozambique LNG informou à Presidência moçambicana sobre o levantamento da cláusula de “força maior”, que desde 2021 suspendeu o megaprojeto de Gás Natural Liquefeito (GNL) naquela região, conforme declaração de uma fonte da TotalEnergies à Lusa.
Este investimento de 20 mil milhões de dólares é liderado pela TotalEnergies, cuja avanço esteve condicionado pelos ataques terroristas na área norte de Moçambique nos últimos anos.
“O consórcio Mozambique LNG decidiu suspender a ‘força maior’, e a Presidência moçambicana foi notificada oficialmente na última sexta-feira através de uma carta protocolar”, informou a fonte oficial da TotalEnergies, que é a líder do consórcio na Área 1 da Bacia do Rovuma.
“Antes do relançamento completo do projeto, o Conselho de Ministros de Moçambique precisa aprovar uma adenda ao Plano de Desenvolvimento (PoD), com o orçamento e cronograma atualizados”, acrescentou a mesma fonte.
Patrick Pouyanné, presidente da TotalEnergies, indicou que a previsão para o início da produção de GNL do megaprojeto em Moçambique está marcada para 2029, após a suspensão desde 2021, tendo a petrolífera apresentado ao Governo um novo programa de desenvolvimento.
“Tudo está preparado. Na verdade, estamos a reativar a operação no terreno, mas a última etapa para levantar oficialmente a ‘força maior’ é que o Governo deve aprovar o plano de desenvolvimento atualizado, pois precisamos ajustá-lo de acordo com um novo cronograma para o início das operações”, declarou Pouyanné durante uma reunião com investidores em Nova Iorque.
Este investimento, que está em desenvolvimento em Cabo Delgado, estima-se que produzirá 13 milhões de toneladas anuais (mtpa) de GNL, e, segundo a petrolífera, atualmente está 40% concluído.
Em 2021, devido a ataques terroristas na região, a TotalEnergies aciona a cláusula de “força maior” e suspendeu suas atividades enquanto a construção de uma central para produção e exportação de gás natural na baía de Afungi estava em andamento.
“Planeamos iniciar as operações em 2029 e, naturalmente, vamos atualizar o orçamento com o impacto da ‘força maior’ (…). Portanto, esta questão está a ser avaliada, e creio que avançaremos rapidamente”, acrescentou Pouyanné.
Moçambique abriga três megaprojetos de GNL ao largo de Cabo Delgado, sendo que apenas o da Eni, Coral Sul, e agora Coral Norte, estão em andamento no ‘offshore’ da província. Os restantes estão em desenvolvimento em terra, especialmente na península de Afungi.
O presidente de Moçambique, Daniel Chapo, já havia enfatizado, em 2 de outubro, a importância do levantamento da cláusula de ‘força maior’ pelo consórcio Mozambique LNG, afirmando que as condições em Cabo Delgado estão reunidas para a retoma do projeto.
“As condições para o levantamento da ‘força maior’ estão estabelecidas, e aguardamos em breve o pronunciamento da concessionária da Área 1, projeto Mozambique LNG, sobre este assunto”, declarou Chapo durante a assinatura da Decisão Final de Investimento (FID) da nova plataforma flutuante de GNL Coral Norte, um projeto de 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros), semelhante ao Coral Sul operado pela Eni, que dobrará a produção de GNL em Moçambique em 2028, alcançando sete mtpa.
O chefe de Estado lembrou que o Governo moçambicano, em colaboração com as concessionárias, tem trabalhado para resolver os desafios de segurança na região.
Para isso, destacou, Moçambique assinou em agosto um Acordo sobre o Estatuto das Forças (SOFA) com o Ruanda, cujos militares já operam em Cabo Delgado no combate aos grupos terroristas, em apoio ao exército moçambicano.









