Motoristas da Unir afirmam que empregadores têm “pouca disposição” para cumprir horários.

Motoristas da Unir afirmam que empregadores têm "pouca disposição" para cumprir horários.

Esta manhã, em Santa Maria da Feira, o líder sindical Hélio Borges, representando a Fectrans – Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, e o STRUP – Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário e Urbano de Portugal, anunciou durante uma reunião com alguns dos cerca de 100 motoristas que operam nas rotas da Unir em Vila Nova de Gaia e Espinho.

“Esta tarde, teremos uma reunião de mediação com a Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho, mas não estamos muito otimistas, pois as empresas não estão dispostas a mudar o que é necessário”, disse o sindicalista à Lusa, enfatizando que a Unir e a Feirense se culpam mutuamente e “não admitem que ambas têm responsabilidade.”

A disputa, segundo Hélio Borges, decorre de “horários impossíveis”, que obrigam os motoristas de autocarro a trabalhar horas extras, “sob pressão”, levando consequentemente à supressão de algumas rotas devido a atrasos consecutivos que simplesmente não conseguem atender.

“Se perguntarem aos passageiros, eles dirão imediatamente que os horários não estão a ser cumpridos e que, por vezes, ficam à espera em paragens por autocarros que não aparecem. É impossível ser diferente, porque, após um atraso de 10 ou 15 minutos em cada rota, eventualmente todo um horário já desaparece”, explicou.

Na tentativa de mitigar o problema, “os motoristas estão a fazer seis horas consecutivas de condução quando só poderiam fazer quatro ou cinco”, ou seja, eles ficam sobrecarregados, “cansados, sem intervalos” e estressados por estarem constantemente “submetidos a reclamações dos usuários”, o que “compromete a segurança nas estradas.”

<p“Não é por acaso que desde janeiro, cerca de 30 ou 40 motoristas deixaram as empresas”, destacou Hélio Borges, afirmando que não houve contratações suficientes para substituir adequadamente esses profissionais, levando os motoristas restantes a estarem “ainda mais sobrecarregados.”

“Quando ocorrer um acidente grave, quero ver quem será responsabilizado”, disse o líder sindical, que já havia alertado para o mesmo risco em meados de setembro.

A Lusa tentou contactar a Auto-Viação Feirense por telefone, que também detém a marca Beira Douro, mas as chamadas não foram atendidas.

Relativamente à rede Unir, gerida pelos Transportes Metropolitanos do Porto, esta entidade já defendeu durante a greve de setembro promovida pelo STRUP e Fectrans que todos os horários definidos para as rotas de Gaia e Espinho são “perfeitamente viáveis” e que não tem “nenhuma responsabilidade sobre os horários de trabalho atribuídos aos motoristas nem sobre a carga de trabalho que alegam.”

“Cabe ao operador alocar as linhas a serem servidas por cada profissional e assegurar o seu bom estado físico e psicológico,” observou.

Na rede Unir, a Nex Continental opera no Lote Nordeste (Santo Tirso/Valongo/Paredes/Gondomar), a Porto Mobilidade no Noroeste (Póvoa de Varzim/Vila do Conde), a Vianorbus no Centro Norte (Maia/Matosinhos/Trofa), a Transportes Beira Douro no Sudoeste (Vila Nova de Gaia e Espinho), e a Xerbus no Sudeste (Santa Maria da Feira/São João da Madeira/Arouca/Oliveira de Azeméis/Vale de Cambra).

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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