O Ministério Público português (PGR) afirmou que o Superior Conselho do Ministério Público decidiu iniciar um processo de inquérito ao abrigo do Artigo 264 do seu estatuto. Esta decisão foi tomada durante uma reunião realizada na quarta-feira, 8 de outubro.
O Superior Conselho do Ministério Público está autorizado a abrir inquéritos de acordo com o estatuto do Ministério Público. O estatuto especifica que o conselho pode ordenar um inquérito sobre qualquer queixa, relatório ou informação que não constitua uma violação flagrante dos deveres dos procuradores.
Este processo de inquérito, conforme delineado pelo estatuto, visa verificar a veracidade das queixas, relatórios ou informações e avaliar se a conduta alegada pode constituir uma infração disciplinar.
Coincidentemente com esta reunião, o juiz Ivo Rosa comunicou em um comunicado escrito que ainda aguarda respostas do PGR sobre o acesso a inquéritos nos quais está envolvido e detalhes sobre o número total de casos abertos pelo Ministério Público.
O juiz Rosa observou ter conhecimento de três inquéritos, “aparentemente todos arquivados”, informação que obteve após um pedido feito ao Ministério Público no Supremo Tribunal de Justiça.
Relatos da CNN/TVI na semana passada indicaram que o juiz Ivo Rosa foi sujeito a uma investigação criminal durante seu mandato como juiz de instrução no Tribunal de Instrução Criminal, alegadamente com base em uma denúncia anônima recebida pela DCIAP e pela Polícia Judiciária (PJ).
Nesta investigação, o Ministério Público teve acesso aos registros de chamadas, dados de localização de telemóveis e contas bancárias do então juiz de instrução, suspeitando de corrupção, apropriação indébita e lavagem de dinheiro.
A investigação criminal teve início no começo de 2021, meses antes de o juiz Ivo Rosa ter anunciado, em abril daquele ano, a decisão instrutória no caso ‘Operação Marquês’, que resultou no arquivamento da maior parte das acusações pelo Ministério Público, uma decisão posteriormente anulada pelo Tribunal da Relação de Lisboa.
Esta semana, o PGR confirmou em uma declaração que todos os procedimentos realizados entre 2021 e 2024 em relação ao juiz Ivo Rosa respeitaram os direitos, liberdades e garantias legais, sem envolver vigilância telefônica.
<p“Na investigação, o Ministério Público foi assistido pela Polícia Judiciária. Uma vez coletadas as provas, foi necessário analisá-las. Ao concluir, o Ministério Público do Supremo Tribunal de Justiça decidiu, em 20 de março de 2024, arquivar o inquérito,” esclareceu o PGR.
[Atualizado às 10:41]









