Alojamento, viagens e transporte em Lisboa: quais são as expectativas para a nova Gestão Municipal?

Alojamento, viagens e transporte em Lisboa: quais são as expectativas para a nova Gestão Municipal?

O novo mandato traz mudanças significativas à governação da cidade. A composição da Câmara Municipal de Lisboa sofreu alterações profundas: a coligação liderada por Carlos Moedas não conseguiu conquistar uma maioria, mas aumentou o seu poder, elegendo oito vereadores, enquanto a coligação do PS elegeu apenas seis, ficando um vereador abaixo do que tinha nos últimos quatro anos. O Chega, representando a direita populista, entrou no executivo autárquico com dois vereadores eleitos, após uma vantagem mínima de 11 votos sobre a CDU, que elegeu João Ferreira mas perdeu Ana Jara.

No ciclo autárquico que se inicia, Carlos Moedas decidiu reformular o seu executivo municipal, escolhendo seis novos vereadores, mantendo apenas a eleição de Diogo Moura.

Graças à coligação eleitoral, a Iniciativa Liberal também fará sua estreia na Câmara, elegendo dois vereadores – Rodrigo Mello Gonçalves e Vasco Anjos –, embora o impacto político da entrada deste partido, que defende políticas económicas liberais e propõe despedimentos na função pública, ainda seja incerto. Após a tragédia do Elevador da Glória, questiona-se a decisão de recorrer à externalização de serviços de manutenção devido à “redução do pessoal”.

No final do discurso de vitória de Carlos Moedas, já após a uma da manhã, o presidente reeleito pouco abordou os planos políticos que tem para a cidade. Os apoiantes lançaram moedas de chocolate para o palco ao som da música “One More Time”, dos Daft Punk.

Mais habitação e turismo?

Com o preço do metro quadrado a ultrapassar os 4750 euros e 48 mil casas vazias, Lisboa enfrenta uma severa crise habitacional, sendo uma das cidades europeias onde a habitação é mais cara.

A coligação Viver Lisboa, liderada pelo PS, e a CDU estabeleceram como metas para o mandato o lançamento da construção de 4500 e 5000 novas habitações a custos acessíveis, respetivamente. O programa político de Carlos Moedas não especifica um número concreto.

Ao abrigo do PRR, está previsto um investimento de 560 milhões de euros para concretização até ao final de 2026. Até ao final de julho, Lisboa liderava em número de casas construídas e reabilitadas com os fundos de recuperação europeus, contabilizando 2613 casas entregues.

Nos próximos anos, o novo executivo municipal planeja avançar na criação de novos bairros habitacionais para preencher os maiores vazios urbanos da cidade, com um olhar para o futuro que ultrapassa o horizonte do novo mandato – por exemplo, no Vale de Santo António, onde até 2036 se prevê a construção de 2400 habitações de renda acessível, com um investimento estimado em 750 milhões de euros, em terrenos com 98% de propriedade pública.

Apesar dos grandes investimentos previstos em habitação, o executivo de Carlos Moedas não concretizou projetos mais modestos que estavam prontos para serem implementados, como o projeto de renda acessível para os terrenos municipais do Alto do Restelo, que permanece pendente desde 2021.

Com previsão inicial para a construção de 629 casas, sendo 444 a custos acessíveis, o projeto sofreu alterações que diminuíram a densidade de ocupação. O processo participativo resultou na redução do número de habitações a serem construídas – para 389 – e a natureza da promoção, que passou a ser 100% municipal.

Lisboa com mais automóveis a entrar: que futuro para a mobilidade?

No setor da mobilidade, Carlos Moedas trouxe Joana Baptista, anteriormente vereadora com a pasta da mobilidade no município de Oeiras. Com a entrada diária de 390 mil automóveis em Lisboa, um aumento de 20 mil em relação a 2017, o programa político de Moedas não inclui medidas para reduzir o trânsito, mas prevê a expansão da rede de faixas BUS.

Entre os principais investimentos em transportes públicos, destaca-se a construção da nova linha de elétrico 16E, com 12 quilómetros de extensão ao longo da frente ribeirinha da cidade. Esta será a primeira linha de elétrico de Lisboa a operar em via exclusiva, com prioridade semafórica, ligando o Terreiro do Paço ao Parque das Nações e a Loures. O novo executivo deverá investir cerca de 160 milhões de euros nesta obra, com operação prevista para 2028.

Para aumentar a capacidade e eficiência do transporte público na zona ocidental da cidade, está prevista uma linha de autocarros em corredor dedicado entre Alcântara e Algés, com um investimento de 93,5 milhões de euros a ser realizado até 2028. Inicialmente, estava previsto implementar uma linha de elétrico rápido.

O novo mandato da coligação Por ti, Lisboa apresenta como objetivo a construção de 125 quilómetros de novas ciclovias – no mandato anterior, Moedas prometeu 90 km, mas apenas quatro foram construídos.

Nos grandes projetos de infraestrutura, está prevista a finalização das obras do Plano Geral de Drenagem de Lisboa (PGDL), projeto iniciado por Fernando Medina em 2015, com seu primeiro túnel concluído em 2019.

As grandes obras na cidade incluem o projeto de requalificação da Avenida Almirante Reis e da Praça Martim Moniz, além da revitalização de várias praças e largos, como a Praça da Alegria, a Praça José Fontana e a Praça das Novas Nações.

Movimento de fregueses com resultado expressivo nos Olivais

É uma tendência nacional evidente em Lisboa, onde as candidaturas independentes e de grupos de cidadãos estão ganhando destaque.

Nos Olivais, a candidatura Olivais em Ação elegeu três representantes à Assembleia de Freguesia, obtendo 16,20% dos votos, conquistando a confiança de 2610 eleitores da localidade. Formada principalmente por cidadãos sem experiência ou filiação política, esta foi a candidatura independente com mais votos no concelho.

Ainda nos Olivais, a lista independente O+ elegeu Ana Catarina Crista, atual vogal da junta socialista, que havia perdido a confiança do partido.

No centro da cidade, a candidatura independente Em Frente, São Vicente elegeu Daniel Adrião, anteriormente associado ao PS.

Como votaram as 24 freguesias?


Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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