O Orçamento de Estado proposto para 2026 (OE2026) foi entregue ao Presidente da Assembleia da República na quinta-feira. É considerado o “menos controverso de todos os tempos”, embora tenha havido críticas em relação à sua entrega antecipada, que estava inicialmente prevista para sexta-feira.
O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa comentou que o documento não apresentava surpresas significativas, enfatizando que está “reduzido ao essencial para garantir a sua aprovação no Parlamento.”
Ele observou que tudo sobre o orçamento já era conhecido, descrevendo-o como um “segredo que não é segredo” e afastou qualquer ideia de que a entrega antecipada fosse “manobra política” em meio à campanha eleitoral municipal.
Porta Aberta à Crítica
O presidente do Chega, André Ventura, comentou que ainda não tinha lido o documento, mas insistiu que “deve ser bom”, especialmente em relação a pensões, redução de impostos, “como sobre combustíveis”, e disposições “para combater a corrupção e a insegurança.”
Embora não tenha se comprometido a apoiar o documento, ele mencionou que havia “aspectos previamente analisados e discutidos” com seu partido, enfatizando que “as questões fiscais devem ser discutidas previamente com as partes, especialmente aquelas que se esperam que o viabilizem.”
“Sabemos uma coisa: considerando a história do PS e do PSD, os orçamentos têm sido tipicamente pobres nos últimos 50 anos. Mas, como se diz, até um relógio quebrado acerta duas vezes por dia, e talvez Montenegro tenha acertado desta vez”, disse ele em comentários iniciais.
Por sua vez, o secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, manifestou disposição para apoiar o orçamento, afirmando que a proposta atende às exigências feitas ao Primeiro-Ministro, especialmente no que diz respeito a “questões laborais, ao Serviço Nacional de Saúde, à segurança social pública e a questões fiscais tratadas fora do orçamento.”
Carneiro confirmou a jornalistas que a possibilidade de viabilizar o documento estava mais aberta, mas observou que “não é” o orçamento do PS.
O presidente do CDS-PP, Nuno Melo, descreveu a proposta do OE2026 do governo como “virtuosa” e “muito boa”, esperando que “todo o Parlamento se levante à altura.” O governo, do qual o CDS-PP faz parte junto com o PSD, “tem experiência em previsões orçamentárias e em cumprir o ciclo dos mandatos do que está previsto, especialmente pela parte do Ministro das Finanças”, afirmou o Ministro da Defesa.
O Partido Social Democrata enfatizou a responsabilidade até a aprovação final do Orçamento de 2026, destacando a importância da implementação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e a manutenção do saldo fiscal positivo previsto pelo governo para o próximo ano.
Rui Tavares, porta-voz do Livre, acusou o governo de tentar despolitizar a proposta do OE2026, alertando que há pouco espaço para mais medidas no documento, retirando-lhe a ambição. Tavares falou com jornalistas após o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, reconhecer que 2026 seria um “ano orçamentário mais desafiador,” observando que “se o país não quiser voltar ao déficit, o espaço” para mais medidas na proposta atual “é quase zero.”
O presidente da Iniciativa Liberal declarou que o documento “falta ambição para os portugueses,” mas é “ganancioso para o estado,” prometendo apresentar propostas durante as discussões detalhadas.
O Partido Comunista Português expressou “oposição total” à proposta do Orçamento de Estado para 2026, acusando PS e Chega de serem cúmplices de um orçamento que agrava a injustiça fiscal, destacando a redução do imposto sobre as empresas.
“Este é um orçamento que agrava a injustiça fiscal, não apenas pela redução do imposto sobre as empresas [em um ponto percentual, para 19%], mas também pela manutenção de benefícios fiscais estimados em cerca de 1,8 bilhões de euros,” disse a líder parlamentar do PCP, Paula Santos.
A porta-voz do PAN descreveu a decisão do governo de antecipar a entrega do Orçamento de Estado como “lamentável,” argumentando que não deve “servir como um instrumento de propaganda eleitoral” ou desviar a atenção.
“É crucial focar na discussão das eleições municipais, em vez de apressar o debate sobre o Orçamento de Estado, que é um tema muito relevante para o país,” enfatizou.
A coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, criticou a proposta do governo por ser caracterizada por “desigualdade fiscal,” afirmando que beneficiaria os bancos “de duas maneiras.”
Ela questionou o momento escolhido pelo governo para apresentar a proposta do OE, ligando-o a notícias sobre a empresa familiar de Luís Montenegro, Spinumviva, e expressou surpresa e choque com o fim do adicional de solidariedade sobre os bancos.
“Estou ciente de que o governo alega questões constitucionais com o adicional de solidariedade, mas têm outras contribuições bancárias que podem ser aumentadas para compensar ou garantir que o estado seja reembolsado pelo retorno do adicional de solidariedade,” explicou.
Outras Reações (De Ex-Ministro a Senhoresio)
Além do parlamento, as reações incluíram a Associação de Proprietários de Lisboa, que lamentou que a crise habitacional foi mencionada “apenas como uma nota de rodapé” na proposta.
A Associação de Inquilinos de Lisboa sugeriu que o governo e a Assembleia aprovem quatro medidas para melhorar as deduções fiscais para inquilinos residenciais, incluindo aqueles com contratos anteriores a 1990 ou rendas congeladas.
O ex-Ministro das Finanças, Fernando Medina, também respondeu à entrega, afirmando que mais do que o momento escolhido pelo governo, o foco deve estar nas medidas em si e se garantem a sustentabilidade das finanças públicas.
Ele enfatizou a necessidade de verificar “se as medidas estão alinhadas com o investimento, fortalecendo o poder de compra das famílias, e se tudo é feito com equilíbrio, prudência e garantia da sustentabilidade de […] finanças públicas, que é essencial manter,” disse.
A Confederação do Turismo de Portugal elogiou o “alívio fiscal” proposto pelo governo no OE e se mostrou “otimista quanto à aplicação de fundos para a Reforma do Estado.”














