Esta declaração foi feita no Palácio de Belém, em Lisboa, pelo dirigente do Bloco de Esquerda (BE), Fabian Figueiredo, que criticou o Governo português e o instou a convocar o embaixador de Israel em Portugal para solicitar esclarecimentos e expressar o seu protesto em relação a estas detenções, que classificou como ilegais, de cidadãos portugueses que participavam numa flotilha internacional com ajuda humanitária em direção a Gaza.
O líder parlamentar do BE, Fabian Figueiredo, fez uso da palavra durante um debate temático proposto pelo Governo, sobre o Plano Nacional de Implementação do Pacto Europeu para as Migrações e Asilo, na Assembleia da República, em Lisboa, a 16 de janeiro de 2025.
O Bloco de Esquerda (BE) anunciou hoje que foi informado pelo Presidente da República de que a sua coordenadora nacional, Mariana Mortágua, e os outros três portugueses detidos por forças israelitas se encontram num porto de Israel.
Fabian Figueiredo afirmou: “Quero dizer-vos desde já que nenhuma informação relevante nos foi comunicada por parte do Governo. Foi pelo Presidente da República, agora, que soubemos que os quatro portugueses se encontram em terra, num porto israelita, e que existe a possibilidade, ainda não confirmada, de serem visitados pela embaixadora portuguesa em Israel.”
Fabian Figueiredo falou no final de uma audiência com o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, que incluiu também os dirigentes Joana Mortágua e Jorge Costa.
Ele acrescentou: “O que nós soubemos, através do Presidente da República, é que [os portugueses detidos por Israel] não terão, até ver, qualquer problema de saúde ou nenhuma condição, no seguimento da sua detenção.”
O BE aguarda “a confirmação desta informação assim que os quatro cidadãos portugueses possam ter contacto com a senhora embaixadora de Portugal em Israel”, Helena Paiva, observando que “toda esta informação é transmitida às autoridades portuguesas através das autoridades israelitas.”
Questionado sobre a data de chegada dos detidos a Portugal, Figueiredo respondeu que o BE ainda não recebeu “nenhuma informação” sobre isso nem sobre os procedimentos a adotar por Israel.
O dirigente do BE mencionou que esta audiência, que durou cerca de 40 minutos, foi solicitada na quarta-feira à noite, com o intuito de obter informações “sobre as diligências que o Estado português está a tomar para garantir a libertação” dos portugueses “ilegalmente sequestrados e detidos pelas forças israelitas.”
“O senhor Presidente da República foi muito expedito, convocou-nos hoje para as duas da tarde”, agradeceu.
Depois, Figueiredo enfatizou que “é ao Governo da República que compete a condução dos trabalhos diplomáticos e a representação externa”, criticando novamente o executivo PSD/CDS-PP e, em particular, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
De acordo com o dirigente do BE, foram solicitadas “por duas vezes reuniões ao Ministério dos Negócios Estrangeiros” e, até ao momento, não houve “nenhuma resposta, para saber, nomeadamente, que diligências estavam a ser tomadas e que medidas é que o Governo tomará.”
“Se o senhor ministro teve dificuldade em encontrar esse e-mail, nós podemos enviá-lo novamente. Aqui fica novamente o pedido ao senhor ministro dos Negócios Estrangeiros para que receba o BE”, declarou.
Figueiredo salientou que não deseja “fazer um caso sobre isto”, mas destacou a “grande ansiedade de toda a gente, dos amigos, dos vizinhos, dos familiares dos detidos” e defendeu que o essencial é assegurar a sua libertação.
“Nós temos um canal de comunicação com o Presidente da República, por vontade do Presidente da República, e queremos estabelecer um canal de contacto permanente com o Ministério dos Negócios Estrangeiros”, explicou.
Além disso, Figueiredo mencionou que “vários países europeus convocaram os embaixadores de Israel para pedir esclarecimentos, nomeadamente, o Governo espanhol.”
“Estranhamos que o Governo português não o faça e queremos instar o Governo português a convocar o embaixador de Israel em Lisboa para uma audiência, para prestar esclarecimentos e apresentar o seu protesto por causa desta detenção ilegal”, acrescentou.
O dirigente do BE fez um apelo à “mobilização da sociedade civil que obrigue o Governo a agir com contundência” e à participação na manifestação convocada para hoje em frente à Embaixada de Israel em Lisboa.
Na quarta-feira à noite, após a notícia da intercepção da Flotilha Global Sumud por forças israelitas, o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, comunicou, através de uma nota, ter confirmado junto do Governo português que seria assegurado “todo o apoio consular aos compatriotas detidos”, por meio da Embaixada de Portugal em Telavive.
A flotilha, composta por cerca de 50 embarcações, uma das quais com bandeira portuguesa, partiu de Espanha com o objetivo de romper o bloqueio israelita e entregar mantimentos na Faixa de Gaza. O Governo de Israel alegou que a iniciativa era apoiada pelo grupo extremista palestiniano Hamas.
Além da coordenadora do BE, Mariana Mortágua, da atriz Sofia Aparício e do ativista Miguel Duarte, cuja participação na iniciativa era conhecida, foi também detido por Israel um quarto português que seguia na flotilha, Diogo Chaves, conforme divulgado hoje pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros.









