O presidente-executivo da Air France-KLM, Ben Smith, afirmou que a possível venda da TAP ao grupo IAG, controlador da Iberia e da British Airways, enfrentaria grandes complicações políticas em Portugal e dificuldades regulatórias em Bruxelas.
Durante um encontro com jornalistas em Amesterdão, onde participou remotamente, Ben Smith destacou que seria “difícil de vender ao público português” a ideia de uma companhia aérea nacional estar “parcialmente controlada a partir de Madrid”, mencionando também potenciais barreiras junto da Comissão Europeia.
“Acredito que seria politicamente complicado explicar aos portugueses que a TAP teria os seus interesses melhor defendidos sob controlo da Iberia. E, do ponto de vista regulatório, também vejo dificuldades adicionais em Bruxelas”, declarou o executivo, que, juntamente com a Lufthansa e a IAG, manifestou interesse em participar na corrida pela TAP.
Ele ressaltou que, caso a Air France-KLM conseguisse a aquisição, adotaria uma abordagem semelhante àquela que preservou a identidade da KLM após a fusão em 2004.
“Nosso compromisso seria manter a marca TAP, proteger os empregos e investir na expansão da rede. Fizemos isso com a KLM, e esse é o modelo que aplicaríamos em Portugal”, garantiu.
No decorrer da apresentação, o CEO da Air France-KLM mencionou que a TAP sobreviveu nos últimos anos devido à sua sólida rede no Brasil, mas enfatizou que a companhia só será viável a longo prazo se se integrar a um grande grupo europeu, uma vez que enfrentou desvantagens competitivas como membro da Star Alliance – uma aliança global de companhias aéreas, fundada em 1997, que permite acumular e resgatar milhas entre os programas de fidelidade dos membros e obter benefícios como acesso a lounges em aeroportos.
Ele lembrou que, ao contrário da Lufthansa ou da United, a TAP nunca foi convidada a fazer parte da joint venture transatlântica, o que a deixou sem acesso a acordos de partilha de receitas e gestão de preços no mercado norte-americano.
“Isso trouxe uma grande desvantagem para a TAP. Enquanto outros membros beneficiavam de contratos conjuntos, a TAP teve que competir isoladamente, o que complicou significativamente sua sustentabilidade”, disse o executivo do grupo que faz parte da SkyTeam.
A Air France não antecipa complicações na mudança de aliança da TAP, caso avance com uma proposta e vença a corrida pela privatização de até 44,9% do capital da companhia.
Conforme o caderno de encargos, 5% do capital será reservado aos trabalhadores, de acordo com a Lei das Privatizações, e o futuro comprador terá direito de preferência sobre a fração não subscrita.
De acordo com o CEO, o “principal trunfo” da transportadora portuguesa é a rede no Brasil, onde opera “10 a 11 destinos diretos”, o que a torna atraente para qualquer grande grupo aéreo. No entanto, Ben Smith acredita que esse ativo não é suficiente para garantir competitividade no longo prazo.
“Para ter um futuro viável, a TAP precisa se unir a um grande grupo e se integrar completamente em uma estrutura comercial forte”, defendeu.
Nesse contexto, o executivo assinalou que a Air France-KLM, que nos últimos cinco anos quintuplicou lucros e melhorou sua posição internacional, “está em condições de oferecer esse caminho de integração”, ao mesmo tempo que preserva a marca TAP e os empregos em Portugal, prometendo uma decisão em breve sobre a apresentação de uma oferta.
Segundo o caderno de encargos, as partes interessadas têm até 22 de novembro para manifestar seu interesse.
Fundado em 2004, o grupo Air France-KLM foi resultado da fusão entre as companhias francesa e neerlandesa, mantendo centros de decisão em Paris e Amesterdão.
Atualmente, o grupo conecta 320 destinos em 90 países e emprega cerca de 78 mil pessoas em todo o mundo, conforme dados de 2024.









