Uma nação de avaliações e de etapas

Uma nação de avaliações e de etapas

Portugal, devido à sua dimensão reduzida, apresenta desafios para todos. Seja para pequenos empresários, cidadãos comuns ou políticos, a dificuldade em tomar decisões, muitas vezes atrelada ao medo, é um obstáculo que precisa ser superado em prol da sociedade.

Os cidadãos, ao tomarem decisões, enfrentam toda a burocracia que acompanha essa tarefa, mesmo com mais de 750 mil funcionários públicos. Já os empresários, lidando com custos contextuais elevados, encontram um mercado limitado e uma dependência excessiva da banca. Por sua vez, os políticos estão constantemente tentando se proteger dos ataques de seus adversários.

Diante dessa situação, a inação parece ser a solução mais segura! Contudo, mais importante do que falar, é necessário agir. Vejamos dois exemplos. Muitos governos discutem a importância de dinamizar o mercado de capitais português como uma alternativa para reduzir a dependência das empresas em relação aos bancos. Essa ideia é atrativa, mas na prática, o que realmente foi feito? Nada. Sempre que há tentativas de mudança, os críticos levantam a bandeira do risco associado ao capital, e os governos acabam se retraindo.

Um indício dessa inércia é o fato de que milhares de milhões de euros de investimento aguardam para entrar em Portugal através dos vistos gold. E o que fazemos? Deixamos investidores esperando um ano por agendamentos repletos de processos burocráticos, prejudicando a imagem de Portugal no exterior.

Outro exemplo. Quando declaramos que desejamos atrair mais investimentos, tanto nacionais quanto estrangeiros, o que realmente ocorre? Projetos ficam paralisados à espera de eleições, para que possíveis adversários políticos não capitalizem sobre iniciativas mais ou menos populares e obtenham vantagens eleitorais.

É crucial que tanto os políticos quanto os portugueses compreendam que essa instabilidade constante é prejudicial para o crescimento do país e para a sua reputação como um destino acolhedor para investimentos. O clima de críticas incessantes não contribui para a resolução dos problemas.

Nos últimos meses, temos testemunhado uma série de propostas do Governo. Assim que essas propostas são divulgadas, rapidamente se tornam alvo de críticas por parte de profissionais que buscam apenas paralisar o país e limitar a ação governamental. Seja nos setores da educação, saúde, justiça ou habitação, nada parece estar em ordem.

A realidade em Portugal mudou. Com cerca de 1,6 milhões de imigrantes, a sociedade enfrenta uma pressão que demanda respostas que vão além da simples expulsão de imigrantes ilegais ou criminosos, pois para esses últimos existem prisões. Precisamos, acima de tudo, de estabilidade e de nos afastar das críticas e ciclos que apenas nos atrasam.

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

axLisboa.pt
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.