As Jornadas de João Afortunado

As Jornadas de João Afortunado

Embora ainda jovem e no início de sua carreira, o compositor é visto como um músico de grande maturidade e solidez, como demonstra a sonoridade de seu disco de estreia Sopros. Acompanhado por Joaquim Festas (guitarra elétrica), Miguel Meirinhos (piano) e Gonçalo Ribeiro (bateria), João Próspero apresenta no Jazz em Agosto sua interpretação da obra literária de Haruki Murakami. Esse concerto, marcado para 5 de agosto no Anfiteatro ao Ar Livre do Jardim Gulbenkian, levará o quarteto a explorar “entre a poesia e a tensão, o mistério e o dramatismo, a obsessão e a estranheza”, seguindo diversas pistas dos escritos do autor japonês para construir um repertório que visa “criar narrativas inquietantes e enigmáticas”.

Kris Davis Trio

Jazz em Agosto – Fundação Calouste Gulbenkian
2 de agosto

Como músico de jazz, a recomendação de João Próspero não surpreende. Este é um concerto inserido no festival onde também se apresentará: “A primeira vez que ouvi a música de Kris Davis foi no disco The Distance de Michael Formanek, com o Ensemble Kolossus. Não hesito em admitir o impacto que me causou e como, desde então, tenho seguido obsessivamente o trabalho da pianista, chegando a incorporá-lo até mesmo em meu próprio universo musical”. Coincidentemente, o trio de Davis se apresentará alguns dias antes do quarteto de Próspero. “Quando soube da vinda do seu trio ao Jazz em Agosto, ficou claro que eu o incluiria em qualquer recomendação musical que vivesse a fazer ao longo de 2025”. Sobre o novo trabalho do trio, o músico português comenta: “Run the Gauntlet é um retrato perfeito do ethos musical de Davis, onde a composição é empolgante e a execução inabalável”.

Drag Race, de Joana Vasconcelos

Até 30 de novembro
Museu de Artes Decorativas Portuguesas da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva

Reconhecida por suas obras impactantes e surpreendentes, Joana Vasconcelos traz uma nova exposição, que não passou despercebida ao músico: “É um nome imprescindível no panorama artístico português e, nesse sentido, minhas palavras não trarão novidades. O que mais me fascinou neste seu último trabalho é a conexão que a artista estabelece entre três elementos de um triângulo subversivo: carros clássicos, ornamentação barroca e a cultura drag. Neste emaranhado de mundos aparentemente incomunicáveis, Vasconcelos combina o imiscível, criando um novo elemento, adornado com ouro e cachecóis de plumas. Quem me conhece sabe que sou um fã ardoroso do drag e do transformismo e, como tal, identifico-me profundamente com esse tipo de obra”.

Variações para Carlos Paredes

Até 18 de janeiro
Museu do Fado

“Embora seja português, eu nunca desenvolvi uma grande afinidade pelo fado”, confessa o músico de jazz. No entanto, “recentemente, a direção mudou ligeiramente e me vi confrontado com ele (há quem diga que era inevitável). O que mais me surpreendeu foi a estreita conexão que existe entre o fado e o jazz, que minha ingenuidade nunca me permitiu perceber, apesar de registros discográficos como Dialogues, que unem o gigante Charlie Haden com o nosso, igualmente impactante, Carlos Paredes”. A exposição Variações para Carlos Paredes, no Museu do Fado, também é “um convite para que me acompanhem aqueles que ainda não tenham sentido a força inegável que é o Fado”, afirma.

A Boneca de Kokoschka

Livro de Afonso Cruz
Quetzal

O instrumentista recomenda a leitura de A Boneca de Kokoschka, obra sugerida por um familiar durante um almoço de domingo. “Recém-saído de Pão Seco, de Mohamed Choukri (fica também a recomendação!), eu estava, por coincidência, procurando novas possibilidades”. O livro narra a história de Isaac Dresner, “um jovem judeu que vive em uma Alemanha devastada pela Segunda Grande Guerra e que, após ver seu amigo ser morto a tiro, se refugia em uma velha loja de pássaros onde, durante um tempo, encarnará a esquizofrenia de Bonifaz Vogel, ensinando-lhe a arte de rezar e a de negociar o preço dos canários”. A Boneca de Kokoschka foi a porta de entrada para o universo de Afonso Cruz, cuja “habilidosa maneira de contar histórias retrata uma realidade surrealista e não tão distante”. É um livro marcante do ponto de vista do músico, que considera a escrita de Cruz “vibrante e extremamente irônica”. “Proporciona uma leitura deliciosa, que certamente permanecerá comigo nos próximos tempos”.

Monster

Série de animação de Naoki Urasawa

“Um tipo de media fundamental, profundamente enraizado na cultura nipónica são as mangas e suas versões animadas, os animes”. Fã confesso da cultura asiática, João Próspero sugere “uma série nesse estilo que, para mim, está entre as melhores de todos os tempos”. Trata-se de Monster, “um thriller psicológico imperdível”. A série “narra a história de um cirurgião japonês residente na Alemanha que, apesar de ter um futuro promissor como diretor de serviço, se vê confrontado por uma série de dilemas esmagadores que o fazem questionar a integridade de toda a humanidade”. A forte relação do compositor com a cultura japonesa se reflete em seu trabalho: “autores como Murakami, cineastas como Kurosawa, designers de jogos de vídeo como Kojima, são todas fontes de inspiração que orbitam meu universo musical”.

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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