O Conselho de Finanças Públicas (CFP) alertou na segunda-feira que o consumo privado deverá “abrandar significativamente” em 2026, conforme indicado em seu relatório ‘Perspetiva Económica e Orçamental 2025-2029 (atualização)’. Esta desaceleração é em parte atribuída à redução das restituições do IRS devido a ajustes feitos nas tabelas fiscais neste ano.
“O consumo privado deverá abrandar significativamente para 2,3% em 2026. Esta dinâmica resulta de um menor crescimento da renda disponível nominal, especialmente durante a primeira metade do ano em comparação com a segunda metade de 2025, devido ao esperado aumento das faturas do IRS e redução nas restituições fiscais, seguindo as mudanças nas tabelas de impostos retidos implementadas no final de 2025,” afirma o relatório do CFP.
Além disso, a organização liderada por Nazaré Costa Cabral explica que “contribui para isso taxas de crescimento menores no emprego e salários por trabalhador, em um contexto de taxa de desemprego próxima a mínimos históricos e níveis de inflação mais baixos, bem como uma redução no saldo migratório, impactando a menor elevação da população em idade ativa.”
O presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP) argumentou que o Orçamento do Estado para 2026 (OE2026) deve ser elaborado com “prudência e responsabilidade política,” alertando que qualquer margem fiscal é “muito limitada e não permite aventuras.”
O CFP continua a prever um retorno aos déficits, mas é mais otimista para 2026.
No mesmo relatório, o CFP mantém a previsão de um orçamento equilibrado (zero) este ano, mas projeta um déficit de 0,6% do PIB, menor que o 1% estimado em abril.
Ambas as projeções estão aquém das expectativas do governo, com o Ministro das Finanças afirmando que o executivo espera alcançar um superávit orçamental de 0,3% do PIB este ano e 0,1% em 2026.
Não obstante, o CFP continua a antecipar um retorno aos déficits no próximo ano devido ao “impacto orçamental negativo de medidas permanentes para aumentar os gastos públicos e reduzir as receitas, aplicadas em 2024 e 2025, visando melhorar a renda das famílias, dos jovens, dos pensionistas, das empresas e aumentar os salários de vários grupos de trabalhadores do setor público.”
A utilização de empréstimos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) também pesa sobre as finanças públicas. Sem os efeitos do PRR, o déficit de 2026 seria de 0,1% do PIB, de acordo com esses cálculos.
Apesar da revisão em alta do saldo orçamental para 2026, a trajetória deste indicador é revista em baixa para 2028 e 2029.
<p“Em cada um desses anos, a revisão é determinada pela esperada redução das receitas públicas, principalmente impulsionada pelas receitas fiscais, especialmente do imposto sobre as empresas, dada a menor execução esperada para 2025, conforme mencionado anteriormente, e pela menor receita do imposto de renda, refletindo uma revisão em alta das próprias estimativas do CFP a respeito do impacto das atualizações automáticas de deduções específicas do IRS pelo valor do IAS e das faixas tributárias com base na evolução da inflação e produtividade,” explica a entidade.
O CFP projeta um déficit de 0,6% do PIB em 2027, 0,7% em 2028 e 0,8% em 2029.
Essa projeção é desenvolvida sob um cenário de política inalterada, portanto, não considera medidas que ainda não estão em vigor ou anunciadas com poucos detalhes, como a nova reprogramação do PRR e a venda de propriedades estatais.
<p“Assim, a possibilidade de um ligeiro superávit orçamental não pode ser excluída,” admite o CFP.
No que diz respeito à dívida pública, a agência projeta uma trajetória descendente que deve atingir 85,6% do PIB em 2029. O CFP aponta para uma proporção de dívida de 91,2% este ano e 89,4% no próximo ano.









