Cientistas Descobrem uma Geometria Quântica Oculta que Distorce Elétrons

Cientistas Descobrem uma Geometria Quântica Oculta que Distorce Elétrons

Como os dados podem ser processados em velocidade relâmpago, ou a eletricidade conduzida sem perdas? Para alcançar isso, cientistas e a indústria estão se voltando para materiais quânticos, regidos pelas leis do infinitesimal. Projetar tais materiais exige uma compreensão detalhada dos fenômenos atômicos, muitos dos quais ainda permanecem inexplorados. Uma equipe da Universidade de Genebra (UNIGE), em colaboração com a Universidade de Salerno e o Instituto CNR-SPIN (Itália), avançou significantemente ao descobrir uma geometria oculta — até então puramente teórica — que distorce as trajetórias dos elétrons da mesma forma que a gravidade dobra o caminho da luz. Este trabalho, publicado na Science, abre novas avenidas para a eletrônica quântica.

Tecnologias futuras dependem de materiais de alto desempenho com propriedades sem precedentes, enraizadas na física quântica. No coração dessa revolução está o estudo da matéria em escala microscópica — a própria essência da física quântica. No último século, a exploração de átomos, elétrons e fótons dentro de materiais gerou transistores e, em última análise, a computação moderna.

Novos fenômenos quânticos que desafiam modelos estabelecidos ainda estão sendo descobertos hoje. Estudos recentes sugerem a possível emergência de uma geometria dentro de determinados materiais quando vastos números de partículas são observados. Essa geometria parece distorcer as trajetórias dos elétrons nesses materiais — assim como a gravidade de Einstein dobra o caminho da luz.

Da teoria à observação

Conhecida como métrica quântica, essa geometria reflete a curvatura do espaço quântico no qual os elétrons se movem. Ela desempenha um papel crucial em muitos fenômenos na escala microscópica da matéria. No entanto, detectar sua presença e efeitos continua sendo um grande desafio.

”O conceito de métrica quântica existe há cerca de 20 anos, mas por muito tempo foi considerado puramente um constructo teórico. Só nos últimos anos os cientistas começaram a explorar seus efeitos tangíveis nas propriedades da matéria,” explica Andrea Caviglia, professor titular e diretor do Departamento de Física da Matéria Quântica da Faculdade de Ciências da UNIGE.

Graças ao trabalho recente, a equipe liderada pelo pesquisador da UNIGE, em colaboração com Carmine Ortix, professor associado no Departamento de Física da Universidade de Salerno, detectou a métrica quântica na interface entre dois óxidos — titanato de estrôncio e aluminato de lantânio — um material quântico bem conhecido. ”Sua presença pode ser revelada ao observar como as trajetórias dos elétrons são distorcidas sob a influência combinada da métrica quântica e campos magnéticos intensos aplicados a sólidos,” explica Giacomo Sala, associado de pesquisa no Departamento de Física da Matéria Quântica da Faculdade de Ciências da UNIGE e autor principal do estudo.

Desbloqueando Tecnologias Futuras

Observar esse fenômeno torna possível caracterizar as propriedades ópticas, eletrônicas e de transporte de um material com maior precisão. A equipe de pesquisa também demonstra que a métrica quântica é uma propriedade intrínseca de muitos materiais — ao contrário de suposições anteriores.

”Essas descobertas abrem novas avenidas para explorar e aproveitar a geometria quântica em uma ampla gama de materiais, com grandes implicações para a eletrônica futura operando em frequências terahertz (um trilhão de hertz), bem como para a supercondutividade e interações luz-matéria,” conclui Andrea Caviglia.

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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