Após quatro anos dedicados ao licenciamento, a autorização foi obtida no início de 2025, mas um processo judicial ameaça colocar em risco um projeto avaliado em cinco bilhões de dólares.
A validação das autoridades federais foi concedida no começo do ano, após uma “avaliação rigorosa de quatro anos”. Contudo, sob um governo Trump hostil às energias eólicas marítimas, o projeto enfrenta o risco de ser prejudicado.
A EDP Renováveis (EDPR) afirma que vai defender seus interesses em um tribunal dos EUA em um conflito que envolve seu consórcio e o governo de Donald Trump.
A administração Biden busca anular a licença para a central eólica marítima na costa leste dos EUA, um empreendimento do consórcio Ocean Winds, que inclui a EDP Renováveis e a empresa francesa Engie.
<p“Nós – assim como várias outras empresas – vamos lutar por nossos direitos nos foros apropriados”, declarou o CEO da EDPR na terça-feira.
<p“Basicamente, isso reflete uma percepção da administração americana que se opõe ao progresso das energias eólicas offshore. Acreditamos que esses projetos são tecnicamente, economicamente e ambientalmente viáveis. Por isso decidimos seguir em frente”, acrescentou Miguel Stilwell d’Andrade durante uma visita a um projeto piloto de produção de eletricidade a partir de hidrogênio na central a gás do Ribatejo.
O executivo enfatizou que os EUA permanecem um mercado prioritário para a companhia. “Continuamos a defender que os Estados Unidos são um mercado em grande crescimento, com imenso potencial”.
<p“É fundamental distinguir entre o investimento em energia eólica onshore, energia solar e baterias, que ainda apresentam grandes perspectivas de expansão”, ressaltou.
O projeto Southcoast Wind, localizado ao largo da costa do Massachusetts, tem uma capacidade prevista de 2,4 gigawatts. A empresa planejava iniciar a construção este ano, visando operação em 2030. O projeto estava suspenso desde fevereiro e ainda não houve uma decisão final sobre o investimento.
Embora o consórcio não tenha divulgado o valor do projeto, estimativas de 2023 do jornal “North American Wind Power” indicam que os custos podem chegar a 5 bilhões de dólares.
A Casa Branca solicitou neste mês a um tribunal federal em Washington DC a revogação da licença de construção da central SouthCoast Wind.
A campanha de oposição às eólicas offshore de Trump teve início há 14 anos, quando ele não conseguiu impedir a construção de uma central próxima a um de seus campos de golfe na Escócia. O ex-presidente já manifestou publicamente sua opinião de que os aerogeradores são “feios e ineficientes”.
A vez, a experiência pessoal do presidente dos EUA parece influenciar suas decisões, com repercussões financeiras de bilhões de dólares e desconsiderando aprovações já concedidas pelo governo, algo que não condiz com o ambiente de negócios americano, que até recentemente era considerado bastante favorável a investimentos.
A intenção do governo em cancelar o projeto da EDPR está inserida em uma moção apresentada neste processo, que foi inicialmente instaurado este ano pela cidade de Nantucket, em Massachusetts, para contestar o licenciamento.
A central está planejada para ser instalada a mais de 30 km da cidade, mas um incidente em outra central em 2024 resultou em detritos de uma turbina nas praias da região, provocando a reação negativa do governo local contra outros projetos.
Em resposta à moção da Casa Branca, os advogados do consórcio Ocean Winds afirmaram que os procedimentos em andamento “refletem o desejo descarado do presidente de eliminar todos os projetos eólicos offshore, independentemente de seus impactos”, conforme citado pela “Reuters”.









