Carreiras do Amanhã: o desafio de recrutar para o que ainda não foi criado

Carreiras do Amanhã: o desafio de recrutar para o que ainda não foi criado

Discutir sobre as profissões do futuro hoje implica abordar uma realidade desafiadora e em constante transformação. A emergência de funções em áreas como inteligência artificial (IA) e gestão de dados está, sem dúvida, gerando novas exigências para o recrutamento e o desenvolvimento de talentos.

Rui Rocheta – Chief Regional Officer Southwestern Europe & Latam da Gi Group Holding

Neste cenário, as empresas enfrentam um desafio urgente: precisam contratar para funções que, na maioria dos casos, ainda não têm uma definição clara. De fato, é difícil encontrar talentos para algo que não possui um histórico de recrutamento. Enquanto isso, os modelos tradicionais de contratação têm se mostrado cada vez mais inadequados em relação ao ritmo da inovação.

Assim, é essencial entender por que as profissões do futuro não se encaixam mais nas estruturas tradicionais. Os responsáveis pelo recrutamento devem estar prontos para acompanhar essa transição.

Recrutar para o desconhecido: o futuro centrado nas competências

As funções emergentes nas áreas de sustentabilidade, ética da IA e análise avançada de dados estão desafiando o mercado de trabalho e os processos de mediação de talentos. Cargos com denominações como climate officer, data translator ou AI ethicist ainda são pouco compreendidos, tanto por candidatos quanto por empregadores.

Essas profissões do futuro não se encaixam em carreiras tradicionais e não seguem trajetórias lineares, representando perfis particularmente difíceis de recrutar, especialmente porque se situam em domínios profissionais em consolidação.

Esse descompasso entre a nomenclatura das funções e as reais necessidades das empresas compromete a atração de talentos qualificados. Quando o título de um cargo não comunica de forma clara seu propósito, é difícil atrair os candidatos adequados, e muitas empresas não sabem exatamente o que buscar.

Não se trata apenas de uma questão de semântica. Segundo a Deloitte e o Fórum Econômico Mundial, o modelo de trabalho centrado em cargos revela-se inadequado devido à velocidade e complexidade do mercado atual.

De acordo com a Deloitte, apenas 24% dos trabalhadores exercem as mesmas funções que colegas com título e nível idênticos. Ademais, cerca de 71% afirmam desempenhar tarefas que ultrapassam sua descrição formal de funções.

Diante disso, a necessidade de uma abordagem mais flexível, focada em competências efetivas e não em cargos rígidos, é evidente. Portanto, a contratação orientada para a inovação é imprescindível.

Competências como nova linguagem do talento

O modelo skills-first propõe uma mudança estrutural: priorizar o que as pessoas sabem fazer em vez de seus títulos ou cargos anteriores. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, essa abordagem torna as equipes mais ágeis e preparadas para o futuro.

Nas profissões emergentes, onde os caminhos ainda não estão traçados, é essencial recrutar com base no potencial. Soft skills como pensamento crítico, criatividade e adaptabilidade são a base de qualquer função em transformação.

A aprendizagem contínua passa a ser reconhecida como uma competência-chave, deixando de ser um mero complemento. Afinal, quando os cargos evoluem mais rapidamente do que os currículos, são essas habilidades transversais que conectam as empresas ao talento emergente e abrem caminho para as profissões do futuro.

Como podem as empresas de recrutamento construir a ponte com as profissões do futuro?

Em um cenário de transformação acelerada, as empresas de recrutamento desempenham um papel estratégico. Elas ajudam a traduzir necessidades emergentes em perfis operacionais, mesmo quando estes ainda não têm nome.

Atuando como mediadoras entre inovação e talento, empresas como a Gi Group apoiam os empregadores na reformulação de descrições de função, bem como no job crafting e job naming. O objetivo é identificar um perfil adaptável e não apenas contratável.

Para os candidatos, esse trabalho é igualmente fundamental. Ajudar os profissionais a reconhecer o valor de seu percurso é o primeiro passo para uma carreira nas profissões do futuro.

Por fim, contratar para o que ainda não existe exige uma nova maneira de encarar o talento. Quem conseguir atuar nesse contexto incerto terá uma vantagem competitiva no mercado de trabalho do futuro.

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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