Nações árabes e muçulmanas buscam pacto de defesa contra Israel

Nações árabes e muçulmanas buscam pacto de defesa contra Israel

Num tom severo, mais de 50 líderes e altos funcionários de países árabes que participaram da reunião convocada pelo Catar, pela Liga Árabe e pela Organização para a Cooperação Islâmica (OCI) descreveram uma atmosfera de tensão, indignação e medo diante de um Israel que atuam sem restrições, o que exige “uma resposta clara, decisiva e dissuasiva”.

Os países árabes e islâmicos pediram hoje a formação de uma aliança política e defensiva para conter Israel, que consideram recusar a paz e buscar “impor-se pela força” no Médio Oriente, solicitando sanções e exclusões internacionais contra Telavive.

Os discursos, que enfatizaram a necessidade de “decisões práticas” para lidar com a “ameaça israelita”, foram mais contundentes do que a declaração final, que se limitou a apelar à comunidade internacional para que imponha sanções a Israel, reexamine as relações diplomáticas, exclua o país da ONU e apoie os mandados de prisão emitidos pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant.

Além do anfitrião, o emir do Catar, Tamim bin Hamad al-Thani, estiveram presentes na cimeira figuras de destaque como o Presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sisi; o rei jordano Abdullah II; o príncipe herdeiro saudita, Mohammad bin Salman; o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan; e o iraniano Masud Pezeshkian.

Os Emirados Árabes Unidos enviaram apenas seu vice-primeiro-ministro Mansour bin Zayed; o Bahrein enviou um dos filhos do seu monarca, Abdullah bin Hamad; e Marrocos enviou o príncipe Mulay Rachid, irmão do rei Mohammed VI. Esses três países são signatários dos Acordos de Abraão, firmados em 2020 sob a administração do ex-Presidente norte-americano Donald Trump, que reconhecem o Estado de Israel e mantém relações políticas e econômicas.

O emir do Catar, país que sofreu um ataque israelense na semana passada contra líderes do Hamas em Doha, acusou diretamente Netanyahu de querer impor sua vontade, de recusar a paz no Médio Oriente e de ter cometido um “ato terrorista covarde” contra mediadores do movimento islamita palestino que buscavam um cessar-fogo em Gaza e a libertação dos reféns israelitas nas mãos do Hamas.

Abdullah II da Jordânia afirmou que os ataques israelenses mostram que Telavive “não tem limites”, e, portanto, os países da região deveriam tomar “decisões práticas para enfrentar essa ameaça” desencadeada por um governo israelense “extremista” que a comunidade internacional permitiu “estar acima da lei”.

O Presidente turco, por sua vez, defendeu que os países islâmicos devem ser “autossuficientes” em defesa contra as “ameaças israelitas”, além de pleitear a aplicação de pressão econômica sobre Israel para que cesse suas agressões.

Al-Sisi alertou Israel de que suas ações “enfraquecem” os acordos existentes com os países da região e “obstaculizam” futuros acordos, ao mesmo tempo em que destacou que os colegas árabes e islâmicos têm a “obrigação” de colaborar para “enfrentar os grandes desafios de segurança, políticos e econômicos” ocasionados pelas agressões israelenses.

Simultaneamente à cimeira de líderes, os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG)—Arábia Saudita, Kuwait, Omã, Catar, Emirados Árabes e Bahrein—ordenaram ao comando militar da organização que tome as medidas necessárias para “ativar os mecanismos de defesa conjuntos” com o intuito de avaliar a “ameaça” de Israel.

Em uma nota, o CCG também indicou que está disposto a “mobilizar todas as suas capacidades para apoiar” o Catar e “proteger sua segurança, estabilidade e soberania diante de qualquer ameaça”.

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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