Despesas mundiais com sofisticação devem alcançar 1,44 trilhões de euros em 2025

O estudo revela que o número de consumidores de luxo diminuiu de 400 milhões em 2022 para aproximadamente 340 milhões em 2025. Além disso, as margens EBIT (lucros antes de juros e impostos) para determinadas marcas de bens pessoais de luxo, que alcançaram um pico de 23% em 2012, deverão estar entre 15% e 16% em 2025, retornando a níveis de 2009.

Os mercados globais de luxo demonstraram resiliência em 2025, com os gastos a estabilizarem em níveis semelhantes aos de 2024, apesar das incertezas económicas e geopolíticas e da disrupção trazida por mudanças significativas nas preferências dos consumidores.

A despesa dos consumidores em diversos segmentos da indústria do luxo deverá alcançar, globalmente, 1,44 biliões de euros em 2025, mantendo-se estável em comparação ao ano anterior (com variações entre +1% e -1% a taxas de câmbio constantes).

As conclusões fazem parte do estudo anual Bain-Altagamma Luxury Goods Worldwide Market Study, que também prevê que essa trajetória de melhoria gradual se estenderá até o próximo ano.

O relatório destaca uma tendência persistente entre os consumidores globais, que mostram preferência pela “indulgência experiencial” em vez das anteriores tendências de “consumo ostentatório” como novos símbolos de status.

De acordo com o estudo, a chamada “mudança tectónica” em direção às experiências de luxo, como hotelaria, cruzeiros e alta gastronomia, e o afastamento dos bens de luxo mais tradicionais, como automóveis de luxo, estão impulsionando o crescimento do mercado de luxo como um todo e remodelando a indústria em diversos segmentos.

Conforme a Bain & Company, o mercado global de bens pessoais de luxo deve permanecer amplamente estável este ano, com um valor projetado de 358 mil milhões de euros em 2025 (em comparação com 369 mil milhões de euros em 2023 e 364 mil milhões de euros em 2024), refletindo uma queda de cerca de 2% este ano às taxas de câmbio atuais e estabilidade a taxas constantes, sinalizando a maturidade que o mercado atravessa após um período de dinamismo na recuperação pós-pandemia.

“A edição deste ano do nosso estudo reforça a conclusão de que as experiências e emoções tornaram-se o verdadeiro motor de crescimento do luxo, superando os bens de luxo,” afirmou Cira Cuberes, sócia da Bain & Company. “O mercado continua resiliente, mas não imune às complexidades macroeconómicas. Uma fase de crescimento impulsionada pela qualidade e sustentada pela disciplina, ética e inovação está por vir. A expansão favorecerá menos localizações, mas com maior impacto, resultando em uma mudança para um modelo mais criterioso e centrado na experiência.”

Segundo o estudo, a indústria automóvel de luxo está enfrentando uma redução de volumes em todos os escalões de preços, com resiliência observada apenas entre os veículos desportivos de gama alta, enquanto iates e jatos continuam a registrar um crescimento robusto.

As belas-artes estagnam, enquanto o mobiliário de design se estabiliza, e vinhos e espirituosas de alta qualidade apresentam resultados desapontantes, embora espumantes premium e tintos italianos consigam se destacar.

A gastronomia de alta qualidade está experimentando um crescimento forte na Ásia, no Médio Oriente e em destinos turísticos, impulsionada por viajantes mais jovens que buscam experiências, conforme destacado pelo estudo.

Mercado de bens pessoais de luxo enfrenta desafios e incertezas

Ainda que se preveja uma tendência geral de estabilidade no mercado de bens pessoais de luxo em 2025, este enfrenta incertezas macroeconómicas e geopolíticas, aproximando-se de um momento crítico, onde o desempenho no quarto trimestre será determinante para os resultados do ano, segundo o Bain-Altagamma Luxury Goods Worldwide Market Study.

Nesse cenário de reajustamento, a joalharia lidera o crescimento atual, prevendo-se uma expansão de 4% a 6% este ano, impulsionada por uma demanda resiliente, apelo emocional e um aumento significativo de designs personalizáveis.

O segmento de óculos também apresenta um desempenho sólido, com crescimento esperado entre 2% e 4%, graças à inovação em design, versatilidade e integração digital.

O segmento de beleza mantém-se estável, com fragrâncias como a subcategoria mais dinâmica, onde a personalização impulsionada por IA está ganhando espaço, enquanto o skincare e a maquiagem premium enfrentam uma polarização de desempenho entre os players.

Por sua vez, o mercado de relógios observa uma maior polarização, com as peças de gama alta em forte crescimento, enquanto taxas e pressão sobre preços aumentam o mercado de revenda.

O vestuário mantém-se estável, apoiado pelo bom desempenho de marcas acessíveis.

A marroquinaria apresenta oscilações, com a falta de novos “hero bags”, embora alternativas mais divertidas e aspiracionais estejam contribuindo para o desempenho.

O segmento de calçado está enfrentando desafios, devido à sensibilidade ao preço e à concorrência com o vestuário esportivo.

No setor de retalho físico de luxo, os outlets estão superando outros formatos, com os consumidores em busca de valor e luxo acessível.

Os canais online mantêm-se estáveis.

As lojas monomarca, por outro lado, estão registrando uma ligeira queda, com uma redução total da área de vendas de 25.000 m² nos últimos seis meses, enquanto os grandes armazéns dos EUA diminuíram cerca de 10% do espaço desde 2024.

O estudo Bain-Altagamma sugere que as marcas precisam reinventar o retalho físico: menos lojas flagship, mas maiores, capazes de proporcionar emoção e uma conexão personalizada.

Novos mercados do luxo

“Num cenário regional fragmentado e assimétrico, novos mercados estão moldando o próximo capítulo do luxo. Espera-se uma redução de 1% a 3% na Europa, enquanto o Médio Oriente se destaca com um crescimento projetado entre 4% e 6%, impulsionado pelo turismo robusto em Dubai e Abu Dhabi e por uma demanda sustentável na Arábia Saudita,” segundo a análise.

Além dos centros tradicionais, uma nova onda de mercados está redefinindo o panorama do luxo. O Médio Oriente, a América Latina, o Sudeste Asiático, a Índia e a África somam, juntos, cerca de 45 mil milhões de euros em 2025, o que é comparável em escala à China continental.

Desde a adoção do luxo acessível pela Geração Z no Sudeste Asiático até o rápido crescimento da classe média na Índia e a ascensão de players emergentes na África, essas regiões mostram um potencial crescente.

Número de consumidores de luxo cai

O estudo aponta que o número de consumidores de luxo caiu de 400 milhões em 2022 para cerca de 340 milhões em 2025. As margens EBIT (resultados antes de juros e impostos) para marcas selecionadas de bens pessoais de luxo, que atingiram um pico de 23% em 2012, deverão situar-se entre 15% e 16% em 2025, voltando a níveis de 2009.

Até 2035, o mercado de bens pessoais de luxo deverá atingir valores entre 525 mil milhões e 625 mil milhões de euros, enquanto o total de gastos com luxo pode variar entre 2,2 biliões e 2,7 biliões de euros, conforme projetam Bain e Altagamma.

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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