O curso de arquitetura levou-a para fora: Erasmus em Roma, estágio em São Paulo, mestrado em Barcelona, emprego em Zurique. Estava tudo a correr bem na Suíça quando, ao fim de seis anos longe de Portugal, Rita Daniel decidiu regressar com um projeto diferente: disponibilizar um espaço para aprender e desenvolver ofícios manuais. Em Lisboa, não havia nada parecido, e Rita trazia ideias dos lugares comunitários por onde passou. Chamou-lhe Volta e, mais tarde, FICA. Assim, cumpriu o clichê e transformou o hobby em profissão.
FICA Oficina Criativa – Fazer à mão
Rua Bernardo Lima, 10C / T.913 190 670
Assim que se entra na oficina de cerâmica, uma frase impressa num espelho diz: “Lembrar que só é fácil para quem não faz”. Na FICA, essa mensagem serve como um lembrete (e, às vezes, como um mantra) para quem experimenta pela primeira vez um dos ofícios manuais oferecidos. Na nova casa, a oficina criativa ganhou mais espaço para albergar os workshops onde semanalmente se aventuram muitas pessoas motivadas.
“Queremos ser um lugar onde se transmitem ofícios e saberes, alguns mais tradicionais, outros contemporâneos. Tentamos desmistificar as técnicas e transmiti-las de forma prática. Isso não significa que as tornemos menos valiosas ou que as simplifiquemos; apenas as tornamos mais acessíveis, adaptando-as ao ritmo das pessoas num contexto urbano”, descreve Rita Daniel, fundadora da FICA e uma das formadoras principais. Ela é responsável pelos workshops de serigrafia e alguns de cerâmica, dois dos ofícios essenciais da FICA. À frente da oficina de marcenaria, agora no andar de baixo, está Gonçalo Almeida, o outro fundador. Com André Figueiredo, completam o trio da FICA, que conta ainda com as formadoras permanentes Mariana Costa e Mariana Mesquita, além de artistas e artesãos convidados que vêm compartilhar seus conhecimentos. Ao longo de seus 10 anos de existência, a oferta diversificou-se, com cada vez mais ofícios propostos, das artes das agulhas à cestaria. Recentemente, também surgiu a FICA Editions, uma marca de peças criadas na oficina.
“A valorização do que é feito à mão e dos ofícios tradicionais em desuso tem crescido”, observa Rita. “As pessoas querem entender como se faz e buscam valorização pessoal.” Outro objetivo é que aqueles que aprendem voltem para desenvolver seus projetos (o Ginásio de Ofícios funciona às terças e quintas-feiras). “Alguns vêm pelo resultado, mas também pelo processo, para se desconectar da vida lá fora. E acabam percebendo que o ato de fazer exige tempo e perseverança.” Mas se fosse fácil, nem se faria.
Workshop Decoração com Minas Cerâmicas, 21 de março, 10h às 13h
Workshop Serigrafia com Mordentes e Tinturaria Natural, 28 de março, 14h às 18h
Os locais
Piena
Rua Luciano Cordeiro, 2C / T.218 130 755
“O lugar perfeito para quem procura a língua italiana, seja para se sentir mais perto de casa ou para quem deseja descobri-la sem precisar de embarcar em um avião.” Assim se apresenta esta livraria italiana, que conta também com um café. “Organizam eventos, que podem variar de um clube de leitura a uma exposição ou performance. Um espaço muito interessante”, descreve Rita.
Festa de Primavera, com Comete, Luca Carocci e Vincenzo Fontana, 21 de março, das 17h às 21h
FuFu
Rua Luciano Cordeiro, 27D / T.215 847 739
“Uma loja como não há muitas em Lisboa, onde encontramos livros e brinquedos cuidadosamente selecionados, sustentáveis e educativos. Além disso, há uma programação para crianças, com workshops, leituras e outras atividades. A oferta cultural é muito rica e diversificada.” A FuFu, cuja montra e interior se destacam pela cor de tijolo, também vende mobiliário infantil e bonecos, além de ser o espaço do ateliê têxtil da marca Fulana Beltrana Sicrana e do ateliê de arquitetura FURO.
Finissage Pop-up Wolf & Rita: As coisas invisíveis, oficina de criaturas têxteis com Fulana Beltrana Sicrana, 21 de março, 11h às 12h30 e 15h às 16h30
Jardins do Bombarda
Rua Gomes Freire, 161 / T.218 885 420
“Estou atenta ao trabalho comunitário e social que acontece nos Jardins do Bombarda: os encontros, os mercados, os almoços de domingo… É um espaço seguro e para todos, que não pode deixar de existir na nossa cidade”, afirma Rita sobre este centro cultural e comunitário, criado em parte do antigo hospital psiquiátrico Miguel Bombarda, promovido pelo Largo Residências em colaboração com várias iniciativas socioculturais. Lá funciona também a Sala Estúdio Valentim de Barros.
Igreja do Sagrado Coração de Jesus
Rua Camilo Castelo Branco, 4 / T.213 560 619
“Esta sugestão vem da minha formação de arquiteta. A igreja projetada por Nuno Portas e Nuno Teotónio Pereira, que recebeu o prêmio Valmor, é um marco do bairro, não apenas pelo seu caráter religioso, mas também pelo seu valor arquitetônico. Durante a faculdade, foi objeto de estudo várias vezes. Recomendo uma visita; é muito enriquecedor ser envolvido por aquele brutalismo arquitetônico que é tão interessante.”
Goethe-Institut
Campo dos Mártires da Pátria, 37 / T.218 824 510
“Agora que estou aqui, talvez consiga praticar meu alemão!”, diz Rita Daniel, rindo. “O Goethe-Institut é um espaço cultural com uma vasta programação, especialmente de cinema e festivais. O jardim também é belíssimo, um ótimo lugar para relaxar longe da agitação da cidade.”
Ler com Goethe: Seis Malas, de Maxim Biller, 13 de março, 18h








