O regime de Teerão convocou embaixadores da União Europeia para protestar contra a recente classificação da Guarda Revolucionária do Irão (IRGC) como um grupo terrorista. Este gesto é interpretado como uma opção moderada do regime para lidar com a crise. Na última sexta-feira, os Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, ameaçaram o Irão com a possibilidade de uma intervenção militar contra os líderes do regime. As tropas americanas foram posicionadas tanto no Mediterrâneo quanto nas proximidades do Estreito de Ormuz, sinalizando que a ameaça poderia ser levada a cabo.
A escalada militar levou a uma forte ação diplomática por parte da China, que aconselhou Trump a se abster de qualquer ataque ao Irão, mesmo com o alto comando militar dos EUA discutindo a questão com seus homólogos israelenses. Além disso, o Catar está liderando uma iniciativa diplomática regional para diminuir as tensões com o Irão.
Na semana passada, a União Europeia classificou a Guarda Revolucionária como uma organização terrorista debido à sua repressão violenta aos protestos em todo o país, que resultaram em milhares de mortos e na prisão de dezenas de milhares de pessoas. Países como os Estados Unidos e o Canadá já haviam tomado a mesma medida.
De acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irão, Esmail Baghaei, a convocação dos embaixadores começou no domingo e seguiu nesta segunda-feira. “Uma série de ações foram analisadas, várias opções estão sendo preparadas e foram enviadas aos órgãos decisórios competentes”, afirmou Baghaei. “Acreditamos que uma decisão sobre uma ação recíproca da República Islâmica do Irão será tomada nos próximos dias em resposta a essa medida ilegal, irracional e equivocada da União.”
No domingo, Teerão já havia reagido à decisão da União Europeia ao designar todas as forças armadas dos países membros como organizações terroristas. Essa resposta simbólica é típica do regime quando se sente ameaçado do exterior. Nesse contexto, a convocação dos embaixadores representa uma tentativa de diminuir a tensão.
As forças de segurança do Irão, especialmente a IRGC, têm usado extrema brutalidade contra manifestantes nas últimas semanas. Organizações de direitos humanos coletaram evidências que indicam que pelo menos seis mil iranianos foram mortos, enquanto fontes internas e vários ministros das Relações Exteriores da União mencionaram recentemente um número superior a 30 mil mortos.






