Barraqueiro reafirma investigações e entregou informações ao DCIAP sobre a concessão da TAP em 2015

Barraqueiro reafirma investigações e entregou informações ao DCIAP sobre a concessão da TAP em 2015

O Grupo Barraqueiro expressa total confiança e tranquilidade em relação à sua atuação no processo de privatização da TAP, afirmando que não há motivos de preocupação quanto às investigações em andamento, segundo a empresa liderada por Humberto Pedrosa.

O Grupo Barraqueiro confirmou por meio de um comunicado que foram realizadas buscas na sede de empresas do Grupo em Lisboa, no âmbito de um inquérito conduzido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) sobre o processo de privatização da TAP, que ocorreu em 2015.

Além disso, a empresa esclarece que já havia entregue voluntariamente ao Ministério Público um dossiê contendo todas as informações relevantes sobre o processo de privatização da TAP, incluindo ampla documentação que comprova a ausência de qualquer ato questionável ou irregularidade.

Assim, o Grupo Barraqueiro afirma que prestará toda a colaboração solicitada pelas autoridades envolvidas neste processo, assim como já ocorreu na Comissão Parlamentar de Inquérito relacionada.

A Barraqueiro foi um dos acionistas da Atlantic Gateway, em conjunto com David Neeleman, que ganhou a privatização da TAP durante o governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho, em 2015.

De acordo com a Lusa, o diretor da Polícia Judiciária confirmou hoje as buscas na companhia aérea portuguesa TAP, que estão ligadas a uma investigação do DCIAP.

A TAP, através de uma fonte oficial, declarou que não comenta processos judiciais, mas sempre colabora com as autoridades em todas as investigações.

Um dos tópicos mais discutidos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a Tutela Política da Gestão da TAP, em 2023, foram os chamados fundos Airbus. Este negócio, firmado pela sociedade DGN liderada por David Neeleman com a fabricante de aviões, resultou na anulação de um contrato anterior para o leasing de 12 aeronaves A350 e na concretização de um novo contrato para a aquisição de 53 aeronaves de uma gama diferente.

Nesse contexto, a Airbus forneceu créditos de capital à DGN, totalizando 226,75 milhões de dólares (aproximadamente 195,5 milhões de euros ao câmbio atual), que seriam transferidos para a TAP por meio da Atlantic Gateway.

O consórcio Atlantic Gateway, composto pelos acionistas David Neeleman e Humberto Pedrosa, venceu a privatização da TAP, realizada no final do governo PSD/CDS-PP, operação que foi parcialmente revertida em 2015 pelo executivo de António Costa (PS).

Na época, a responsabilidade política sobre a TAP recaía sobre o atual ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz.

Durante as audições da CPI, diversos deputados questionaram os depoentes sobre o conhecimento deles acerca da operação, mencionando que a capitalização da TAP em 2015 foi realizada com recursos próprios da companhia.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou, em setembro do ano passado, o recebimento do relatório da Inspeção-Geral das Finanças (IGF) sobre a privatização da TAP em 2015, enviando o documento para o DCIAP.

O inquérito em questão foi iniciado em fevereiro de 2023, a partir de uma participação feita pelos então ministros das Finanças e das Infraestruturas e Habitação, Fernando Medina e Pedro Nuno Santos, respectivamente.

Em meados de outubro de 2022, Pedro Nuno Santos informou que a administração da TAP havia solicitado uma auditoria por suspeitar que estava pagando mais pelos aviões do que os seus concorrentes, e o Governo encaminhou as conclusões para o Ministério Público.

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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