Parpública sob investigação no processo de venda da TAP

Parpública sob investigação no processo de venda da TAP

A TAP e o grupo Barraqueiro foram alvos de buscas nesta terça-feira, conforme já noticiado pelo Jornal de Notícias, devido a suspeitas de fraude no processo de privatização de 2015.

A Parpública, entidade gestora das participações do Estado, também foi objeto de buscas hoje, ligadas ao mesmo processo, segundo o Jornal Económico.

O Ministério Público confirmou a realização de buscas e detalhou que a investigação aborda “factos suscetíveis” de indicarem possíveis crimes de administração danosa, participação económica em negócio, corrupção passiva no setor privado, fraude fiscal qualificada e fraude à Segurança Social qualificada.

As buscas foram conduzidas em 25 locais, que incluem empresas, sociedades de advogados e de revisores oficiais de contas, como parte da operação “Voo TP789”.

O objetivo das diligências é a coleta de provas relativas a denúncias feitas ao Ministério Público em dezembro de 2022, e que estão conectadas à aquisição pelo agrupamento ATLANTIC GATEWAY de 61% do capital social da TAP, SGPS, além da subsequente capitalização da empresa com recursos de um financiamento previamente acordado entre a AIRBUS e a DGN CORPORATION (acionista da ATLANTIC GATEWAY).

Espera-se que vários indivíduos sejam constituídos arguidos, incluindo Humberto Pedrosa, líder do grupo Barraqueiro, de acordo com o JN, embora o Ministério Público tenha informado que “não está prevista” nenhuma detenção.

A investigação também abrange as “decisões contratuais tomadas por acordo entre a AIRBUS e a DGN CORPORATION antes da venda direta, relacionadas com a aquisição pela TAP, S.A. de 53 novas aeronaves, e o cancelamento de encomendas feitas em 2005”. Há suspeitas de que essas opções contratuais favoreceram a aquisição da participação social da companhia pelo consórcio ATLANTIC GATEWAY e sua capitalização com financiamento externo, gerando prejuízos para a empresa.

Os custos suportados pela TAP, S.A. com entidades relacionadas à ATLANTIC GATEWAY antes da venda direta também estão sob investigação, assim como questões relativas ao período em que a gestão da TAP, S.A. esteve sob responsabilidade de acionistas privados, abrangendo a situação fiscal de indivíduos e empresas envolvidos nessa gestão.

O Ministério Público destaca a possibilidade de configuração das práticas mencionadas anteriormente, e a investigação conta com uma equipe mista composta por magistradas do Ministério Público, inspetores da Polícia Judiciária, da Autoridade Tributária e Aduaneira, da Segurança Social e especialistas do Núcleo de Assessoria Técnica da PGR.

A operação realizada nesta terça-feira teve o apoio da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária, da Autoridade Tributária, do Instituto da Segurança Social e do Núcleo de Assessoria Técnica. As buscas em alguns locais foram supervisionadas por dez procuradores e sete juízes, conforme esclareceu o Ministério Público.

A TAP rejeitou comentar sobre os processos judiciais e reafirmou seu compromisso de colaborar com as autoridades em todas as investigações, após as buscas realizadas pela Polícia Judiciária em relação às suspeitas de crimes na privatização de 2015.

O grupo Barraqueiro, por sua vez, confirmou as buscas em uma declaração, afirmando que são parte de um inquérito no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) sobre a privatização da TAP em 2015. A empresa expressou total confiança em sua atuação durante o processo de privatização e disse não ter motivos para preocupação em relação às diligências em andamento.

Adicionalmente, o Grupo Barraqueiro informou que já havia entregue voluntariamente ao Ministério Público um dossiê com todas as informações relevantes sobre a privatização da TAP, incluindo evidências de que não houve qualquer ato com caráter duvidoso ou irregular. Assim, afirmaram estar dispostos a colaborar com as autoridades, como já haviam feito na Comissão Parlamentar de Inquérito.

Atualizado às 13h17

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

axLisboa.pt
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.