O recorde anterior de pouco mais de quatro mil milhões de euros estabelecido para 2024 foi superado em apenas nove meses deste ano, com a fileira da saúde a alcançar mais de 4,6 mil milhões em exportações. Os EUA continuam a figurar entre os três principais mercados, apesar das incertezas comerciais.
As exportações do setor da saúde em Portugal continuam a ascender, e os primeiros três trimestres deste ano já superaram o máximo anual anterior, ultrapassando os 4,6 mil milhões de euros.
Dados do INE e AICEP, divulgados pelo Health Cluster Portugal (HCP), mostram um crescimento significativo nas exportações do setor da saúde nos primeiros nove meses do ano, permitindo que o setor ultrapassasse o anterior recorde anual de vendas ao exterior. O ano passado tinha encerrado com um novo pico de 4.036 milhões de euros, mas os 4.620 milhões registados nos primeiros três trimestres de 2025 já estabelecem um novo máximo histórico.
Em termos de comparação, isso representa um aumento de 43,1% em relação ao ano anterior, com o setor da saúde a constituir 8,7% do comércio internacional total do país entre janeiro e setembro deste ano.
Em declarações ao JE, o diretor executivo do HCP expressou satisfação com a evolução da área da saúde e das ciências da vida, destacando a relevância crescente que este setor assume no contexto exportador nacional.
“É muito positivo ver o dinamismo crescente da fileira da saúde como motor do desenvolvimento económico e social do país, consolidando-se como um setor de referência nas exportações”, afirmou Joaquim Cunha.
A Alemanha manteve-se como o principal destino das exportações portuguesas, seguida pelos EUA, onde as políticas tarifárias da administração Trump têm gerado incerteza e, posteriormente, obstáculos reais ao comércio livre, causando preocupação em diversos setores da economia nacional e europeia. Espanha, França e Bélgica completam o top-5, segundo dados do HCP.
No que diz respeito ao tipo de produto, os preparados farmacêuticos dominam amplamente as vendas portuguesas para o exterior, representando 83,5% do total exportado pelo setor da saúde até setembro. A seguir estão os instrumentos médicos, com 12%, os produtos farmacêuticos, com 4%, e os equipamentos de radiação, com 0,5%.
Em setembro, ainda antes da divulgação destes números, a Confederação Empresarial de Portugal – CIP destacou a evolução positiva do setor, mencionando um aumento de 85% nas exportações durante a primeira metade do ano em comparação com o ano anterior.
João Almeida Lopes, presidente do Conselho da Saúde, Prevenção e Bem-Estar da CIP, elogiou o setor, considerando-o “dinâmico, competitivo e integrado nas cadeias de valor internacionais”, solicitando ao Estado um envolvimento ativo “na redução dos custos de contexto e na criação de condições para atrair investimento e aumentar a capacidade industrial do país na área da saúde”.









