UE reafirma determinação de aplicar 150 bilhões em continente africano até 2027

UE reafirma determinação de aplicar 150 bilhões em continente africano até 2027

A Presidência de Angola descreveu como a “maior concentração alguma vez registada de delegações estrangeiras” em Luanda para um evento, após o primeiro dia da sétima cimeira União Africana (UA) – União Europeia (UE).

Mais de 80 delegações estão a participar nos encontros de menos de 48 horas que celebram 25 anos de relações entre os dois blocos, que juntos representam 1,9 mil milhões de habitantes e 40% dos membros das Nações Unidas. João Lourenço, Presidente da República de Angola e Presidente em exercício da União Africana, refletiu sobre o aprofundamento do conhecimento mútuo, a solidificação da cooperação bilateral e a expansão da parceria em diversos setores, destacando que os resultados alcançados motivam a continuidade do trabalho conjunto e que o futuro é cada vez mais promissor.

“Luanda ergue-se hoje como uma tribuna de esperança e o símbolo do desejo africano de estabelecer relações mais profundas com a Europa em busca de benefícios mútuos, especialmente num mundo cada vez mais turbulento, cheio de desafios complexos que afetam a todos, como as crises de segurança, alimentar, energética, humanitária e sanitária, que têm originado migrações massivas e desemprego global”, acrescentou.

O encontro, copresidido por João Lourenço e António Costa, Presidente do Conselho Europeu, trouxe rapidamente a reafirmação do compromisso da UE de investir 150 mil milhões de euros em África até 2027.

“Há 25 anos, na nossa primeira Cimeira do Cairo, Europa e África decidiram construir juntos um futuro comum. Hoje, em Luanda, celebramos esse espírito do Cairo. Estamos a elevar a nossa parceria única entre Europa e África para um novo patamar. Com novos projetos sob o Global Gateway, o plano de investimento da Europa para um mundo mais interligado, entramos numa nova era de comércio e cooperação entre os nossos dois mercados”, afirmou Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia. Desde 2021, a estratégia comunitária Global Gateway já mobilizou 120 mil milhões de euros para 138 projetos em áreas estratégicas, como energia verde, transportes, digitalização, saúde e educação.

Na abertura da cimeira, ao lado de João Lourenço, Ursula von der Leyen e Mahamoud Ali Youssouf, Presidente da Comissão Africana, António Costa parabenizou Angola pelos 50 anos de independência e pela sua “altamente bem-sucedida” presidência da União Africana, assim como Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, recordando a “luta de libertação dos povos africanos”.

“A queda da ditadura no meu país acelerou o processo de independência e, sem isso, nunca seríamos membros da União Europeia. Hoje, não poderia estar aqui ao lado do Presidente da República de Angola. Esse processo de libertação coincidiu e deve inspirar a União Europeia e a União Africana a construir um futuro partilhado de sucessos e cooperação intensa”, refletiu o político português diante das mais de 80 delegações presentes.

Ele acrescentou que, embora as colónias europeias tenham terminado, os efeitos do colonialismo persistem, o que deve impulsionar a colaboração, uma vez que apenas juntos se pode trabalhar para alcançar paz e prosperidade através do multilateralismo. António Costa mencionou ainda que a cimeira do Cairo deu origem a uma nova dimensão estratégica à parceria global entre África e Europa para o século XXI, em um espírito de igualdade, respeito, aliança e cooperação.

“Uma verdadeira parceria de continente para continente, de povos para povos”

“Hoje, podemos afirmar com orgulho que juntos realizamos essa ambição. Temos agora uma verdadeira parceria de continente para continente, de povos para povos, que vai muito além das nossas duas Uniões, envolvendo também a sociedade civil, parlamentos, setor privado e, especialmente, a juventude”, continuou, referindo-se à “jovem geração africana” como “um dos maiores trunfos para nosso futuro partilhado”.

António Costa destacou que a visão conjunta para 2030, baseada no compromisso de construir um futuro pacífico, próspero e sustentável, defendendo e melhorando o multilateralismo, é mais relevante do que nunca.

Ele afirmou ainda que África e Europa compartilham a responsabilidade de fazer ouvir suas vozes e moldar uma governança global mais justa. “Temos estado ao lado um do outro na defesa de uma representação mais forte de África nas instituições internacionais. Juntos, garantimos a adesão da União Africana ao G20 e, pela primeira vez este ano, houve uma reunião do G20 organizada em África, na África do Sul”, recordou.

Na cimeira, poucos dias após o G20 em Johanesburgo, João Lourenço mencionou preocupações expressas na 4.ª Conferência Africana sobre o Financiamento das Infraestruturas em África, abordando a necessidade urgente de garantir um acesso mais justo de África aos mercados globais de capitais e promover soluções lideradas por africanos em parcerias público-privadas, de maneira a fortalecer as economias africanas e aumentar sua competitividade na economia global.

Mahmoud Ali Youssouf, presidente da Comissão da União Africana, defendeu a necessidade de mais transparência no acesso ao capital, denunciando desigualdades nos custos para empreendedores africanos em comparação com outros empreendedores. Segundo Youssouf, instituições como o FMI, o Banco Mundial e a OMC concedem mais empréstimos e assistência à Argentina do que a todos os Estados africanos, o que considera “não normal”. Ele também enfatizou que a sustentabilidade da dívida é crítica para o futuro das economias africanas.

África ainda sem representação permanente no Conselho de Segurança da ONU: “injustiça histórica”

António Guterres, secretário-geral da ONU, reiterou, como tem feito em várias ocasiões, que África deve ter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Essa mudança seria “fundamental para corrigir uma injustiça histórica e reforçar a capacidade do Conselho de garantir paz no mundo”, afirmou. Guterres também alertou sobre a instabilidade global atual, associada a uma multipolaridade emergente e aumento das desigualdades, crises ambientais e retrocessos na paz e segurança internacionais.

Para Guterres, a “multipolaridade, por si só, não garante paz e prosperidade”, e fez um apelo por mudanças profundas na “injusta e ineficaz” arquitetura financeira internacional.

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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