No Coração de Cabo Ruivo com João Pedro Fonseca

No Coração de Cabo Ruivo com João Pedro Fonseca


A trajetória de João Pedro Fonseca poderia ser vista como um “salto quântico”, tendo ele iniciado sua carreira no desenho e na pintura. Ao longo do caminho, fez diversas descobertas até chegar à sua atual forma de expressão: uma arte transdisciplinar que investiga a interseção entre tecnologia e o humano, fundamentada numa “investigação filosófica e especulativa”. Suas obras mais recentes, Metaviolence e carne.exe, projetam futuros nos quais a tecnologia ocupa um papel central. Para este ano, ele planeja criar um álbum e um jogo.

No espaço da ZABRA – Centro de Investigação de Arte Pós-Humana, que possui um armazém de 500 metros quadrados e pé direito de 5 metros, a arte é criada utilizando dispositivos tecnológicos. O ambiente é preenchido com almofadas, teclados, sintetizadores e uma variedade de máquinas conectadas a telas. A ZABRA é uma associação cultural que se dedica a demonstrar o potencial artístico da tecnologia, transcendente ao que normalmente se discute, como redes sociais e inteligência artificial. “Este espaço representa uma forma de resistência: queremos mostrar que a tecnologia não é algo negativo. Ela pode ir muito além nas áreas da terapia e da comunicação”, defende João Pedro Fonseca. Ele compartilha a direção artística da ZABRA com Carincur, uma musicista e performer, e conta com a colaboração da bailarina Lua Carreira e de Manuel Bogalheiro, um dos fundadores da associação que oferece suporte filosófico. “Nosso objetivo é democratizar a tecnologia”, completa.

Na ZABRA, onde recentemente Albano Jerónimo atuou ao lado de um modelo de inteligência artificial no espetáculo carne.exe, uma variedade de eventos pode acontecer, como performances, exposições de videoarte, concertos, workshops, palestras e debates relacionados às obras apresentadas. Todos os projetos têm início em uma pesquisa acadêmica que pode se desdobrar de várias maneiras. “Queremos mostrar nosso trabalho, mas também formar uma comunidade voltada à arte e à tecnologia, acolhendo outros projetos com essa mesma lógica. A ideia é que, juntos, nos tornemos mais fortes e unidos”, destaca João. Eles também alugam estúdios a outros artistas da mesma área. A programação regular e o bar da ZABRA visam atrair pessoas para essa região da cidade, e a intenção é “ativar” o espaço e a ideia.

Avenida Infante Dom Henrique, 332 R/C, Edifício III

Os locais

Espaço Laboratório

Avenida Infante Dom Henrique, 336A / T.969 407 793

“É particularmente interessante porque se distancia das práticas e dos focos da ZABRA, ao privilegiar as artes circenses. Nelas, o corpo assume-se como performance em estado bruto, colocado de forma constante em situações radicais e fisicamente desafiantes. Trata-se de uma abordagem que dispensa tecnologias digitais e se centra no que há de mais elementar e intrínseco: a própria anatomia humana.”

Cabaré AIROTICLOVESTRUCK – 21, 26 e 27 de fevereiro

Espaço Parasita

Avenida Infante Dom Henrique, 336A, piso 3

“Um território de trabalho e de abertura para a criação em dança e artes performativas. É orientado para a experimentação e a tomada de risco. Promove o encontro entre artistas, investigadores e ativistas, sustentando práticas que se constroem no diálogo e na partilha. Assenta numa ética de cuidado, respeito mútuo e responsabilidade coletiva, comprometendo-se com a não discriminação e a criação de um ambiente seguro, inclusivo e atento às diferenças.”

Tremuria Project, uma imersão a partir do corpo dançante, com Pak Ndjamena – 21 e 22 de fevereiro, 10h às 12h30

AND Lab

Avenida Infante Dom Henrique, 336A, piso 3 / T.929 130 316/ 931 701 903

“Distingue-se por se afirmar como uma plataforma de investigação praticada, orientada para processos de pensamento em ação e para políticas da convivência. Privilegia a relação, a reciprocidade e a atenção ao que emerge no encontro. Sustenta um compromisso contínuo com a transmissão e a partilha, colocando a prática artística e investigativa como espaço de escuta, cuidado e copresença.”

Corpo de Agora com Carlota Oliveira (quartas-feiras) e Prática Pública com Myrna Renaud (quintas-feiras)

Brusco Studio

Avenida Infante Dom Henrique, 336A, piso 4

“O open space, inundado de luz natural, cria um ambiente propício à concentração, à experimentação e ao diálogo entre práticas. A sua configuração técnica, aliada a uma escala íntima e funcional, permite tanto a produção de imagem como a realização de encontros, workshops e eventos. A vista ampla sobre o Tejo reforça uma sensação de abertura e suspensão, favorecendo um ritmo de trabalho atento e inspirado.”

Sud Sud

Avenida Infante Dom Henrique, 336A, piso 3

“Um estúdio de design que complementa ainda mais o ecossistema artístico que está a ser criado nesta zona de Lisboa. Reaproxima as artes físicas e faz um balanço interessante entre esse aspecto e o novo design, mantendo algo que une todos os projetos: a colaboração.”

Lindo Serviço

Rua Centieira, 7 / T.218 394 122

“Embora não seja um espaço cultural, está altamente ligado à arte e à concepção da mesma. É interessante haver, ao lado da ZABRA, um espaço onde se podem realizar os sonhos artísticos, e não só, dos criadores. Pauta-se por criar peças de grande dimensão e com ferramentas e tecnologias que não estão disponíveis no uso doméstico.”

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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