Ganso Original: Uma Perspectiva Inovadora sobre a Natureza

Ganso Original: Uma Perspectiva Inovadora sobre a Natureza


João Sala (JS) – Éramos cinco pessoas a tomar a decisão de escolher um nome, algo que tende a durar para sempre (no nosso caso, ficou), por isso não poderia ser qualquer coisa. Houve várias tentativas, muitos nomes foram rejeitados e, talvez em desespero, alguém sugeriu ‘Ganso’…

Diogo Rodrigues (DR) – Na verdade, acho que é bom sermos cinco porque isso ajuda a desempatar. E, quanto mais pessoas, mais ideias…

JS – Também há o fator psicológico de termos menos dúvidas. Alguém que decida tudo sozinho pode ter dificuldades… Não tenho experiência de fazer música sozinho, mas imagino que isso possa acontecer. Tem vantagens e desvantagens, mas já estamos habituados a lidar uns com os outros.

DR – É natural que tenhamos uma adoração pela nossa cidade natal. As nossas músicas refletem as nossas vivências, especialmente em Lisboa.

JS – É verdade, mas temos o hábito de sair de Lisboa para escrever novas músicas, para nos afastarmos da rotina, mas sempre com Lisboa na cabeça e no coração. Isso é inevitável.

JS – A Deixar-te, por exemplo, fala sobre parar de fumar, mas tem uma ambiguidade; quem ouve pode achar que a música fala sobre alguém, mas depois há um plot twist. É um tema muito específico, mas que não vai direto ao assunto…

Gonçalo Bicudo (GB) – Para todos os efeitos, é sobre uma relação, por isso pode ser interpretado de várias formas. Neste caso, é sobre uma relação com o tabaco.

GB – Tem vindo sempre a progredir, porque estamos sempre à procura de fazer algo novo que não tenhamos feito antes, seja usando mais sintetizadores, fazendo músicas um pouco mais longas ou mais curtas… No meu caso, por exemplo, linhas de baixo mais melódicas ou agora mais simples, mais concisas… Há sempre algo progressivo na forma como trabalhamos a sonoridade dos nossos discos.

JS – Sim. Podemos dizer que essa melancolia faz parte de viver numa cidade que, no último mês, esteve bastante melancólica; não é só uma cidade de sol. É bom não estarmos sempre em cima, mas também não é interessante uma banda que só tem músicas deprimentes. Acho que é bom ter variações no ritmo.

“‘Fetiche Fonético’ é uma música que resume bem o que nós somos”

GB – Há sempre partilha de feedback, mas não sei se isso influencia muito o nosso som. Sempre que alguém lança um disco novo, normalmente pede feedback. Por exemplo, o Rapaz Ego lançou recentemente um disco e mandou-nos músicas, perguntando o que achávamos…

JS – Também há muita entreajuda em relação ao empréstimo de instrumentos ou material para gravação… Pedimos e também emprestamos coisas…

DR – E depois há um lado inevitável, que são os nossos gostos… À partida, todos nós nos rodeamos de pessoas com gostos semelhantes, e acabamos por nos aproximar como ímanes, porque gostamos de ir aos mesmos concertos, restaurantes, bares ou de ver os mesmos filmes. Isso influencia tanto a música como o nosso dia a dia.

MB – Atualmente, o catálogo de artistas da Cuca Monga é bastante eclético, por isso, à medida que novas bandas se juntam à editora, é natural que haja uma linguagem comum… Basta ser um artista novo que faça canções em português e que goste de Beatles, de rock e de indie

JS – Nós já gostávamos das músicas deles e, um dia, conheci um deles aqui em Lisboa. Ele mora em Paris, onde nós depois fomos gravar o nosso álbum, um pouco graças aos contactos que ele tinha, e como estávamos todos em Paris, pensámos que seria uma boa ideia colaborar. E eles aceitaram.

GB – Superou completamente. Lembro-me de ter ficado muito entusiasmado num concerto em que ganhámos 50€ [risos]…

JS – Também lembro da primeira vez que tocámos no Musicbox. Foi um grande marco! Já tínhamos tocado em salas menores, como o Sabotage ou o Tokyo, e quando fomos ao Musicbox, eu achei que era todo um outro universo. Entretanto, já tocámos lá mais de dez vezes…

MB – Também me lembro – penso que foi num concerto de Fausto, em 2016, no Coliseu – de estar com uma amiga que me disse “se calhar vocês um dia também vão chegar aqui”, e eu pensei “não vai acontecer” [risos]…

JS – Ajuda, mas acredito que é bom ter alguma ambição. É um equilíbrio entre os dois. Mas a verdade é que nem é preciso ir tão longe. Se há cinco anos me perguntassem se eu achava que íamos tocar no Coliseu, eu diria que não.

GB – O ideal é fazer o que se gosta e acreditar no que se está a fazer. E, eventualmente, pode ser que corra bem, mas isso nunca é uma garantia.

DR – Muito provavelmente, não que seja a minha preferida, mas acho que a Fetiche Fonético resume bem o que nós somos. Tem elementos que podiam ser do primeiro EP…

MB – E a própria letra remete para aquelas idiossincrasias que o Sala gosta de explorar.

JS – Lembro-me de, antes de termos gravado o álbum, ter mostrado as demos ao nosso amigo Joaquim Quadros, que nos acompanha há muito tempo, e ele, quando ouviu a Fetiche Fonético, disse logo “isto soa a Ganso, mas novo”.

DR – Depois de apresentarmos o disco, quisemos logo fazer mais. Pensámos num EP, mas, entretanto, a vida avançou, e não acabou por ser um EP, mas estes dois temas que achámos que valiam a pena. Isso está relacionado com o concerto no Coliseu… De repente, temos um desafio novo e não vamos tocar apenas as mesmas músicas que já tocamos há mais de um ano.

JS – Sendo um concerto de celebração, os dez anos representam o início da banda, mas também o presente, por isso é bom ter algo mais recente do que o nosso último álbum, que já tem mais de um ano, para realmente fechar este ciclo.

DR – Normalmente, decidimos parar para fazer nova música. Também pode acontecer alguém fazer algo em casa e querer mostrar aos outros, mas normalmente juntamo-nos todos num lugar e paramos para compor.

Nuno Martins Craveiro, jornalista de 42 anos, é o responsável pela estratégia e coordenação de conteúdos da axLisboa.pt. Com uma visão abrangente e rigorosa, supervisiona as diversas áreas editoriais do site, que abrangem desde a atualidade local e nacional até à economia, desporto e ciência.

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