A APAT – Associação dos Transitários de Portugal expressou “profunda preocupação” em relação ao que classifica como uma “grave disfunção operacional” nos serviços de handling de carga aérea em Portugal.
A APAT, que representa mais de 255 empresas operando em território nacional, divulgou um comunicado de imprensa sobre o caos insuportável nos aeroportos do país. Há cargas abandonadas, aviões a descolar ‘vazios’ e um cenário de séria perda de competitividade das empresas, com efeitos devastadores para clientes, consumidores e para a Economia.
A Associação denuncia uma disrupção total nos serviços de handling de carga aérea nos principais aeroportos de Portugal, com atrasos, desvio de mercadorias para Madrid e um impacto direto na competitividade da economia nacional.
A APAT menciona consequências visíveis: “cargas acumuladas, prazos não cumpridos, clientes prejudicados e empresas obrigadas a arcar com custos adicionais que fragilizam ainda mais o tecido econômico português. Essa disfunção, acompanhada por aumentos sucessivos nas taxas aeroportuárias, potencializa uma fragilidade que vem sendo explorada por aeroportos concorrentes, retirando mercado aos operadores portugueses. O resultado? Perdas significativas em conectividade, receitas e competitividade para o país”.
As principais empresas responsáveis pelo handling de carga aérea nos aeroportos portugueses são a Portway e a Menzies/Spdh (anteriormente conhecida como Groundforce Portugal). Ambas operam nos principais aeroportos do país, como Lisboa, Porto e Faro, além de outros aeródromos como Funchal e Beja.
Outros operadores incluem a SATA Handling, que atua especificamente nos aeroportos dos Açores.
O alerta da APAT acontece em um momento de crescentes críticas aos serviços de handling em Portugal, por parte de sindicatos, empresas e operadores, devido à falta de pessoal e ao aumento das tarifas.
A Menzies reconhece que há um problema afetando todos os operadores, mas afirma que não é sua responsabilidade.
A APAT afirma que “não podemos aceitar a precariedade funcional do handling aeroportuário, a escassez de recursos humanos e a falta de infraestruturas adequadas, ou assistiremos ao colapso total do setor. Sem uma intervenção urgente, Portugal perderá posições estratégicas no panorama logístico internacional” e alertam que “a continuidade desse cenário fragiliza o país enquanto porta de entrada e saída de mercadorias, empurrando empresas para soluções fora do território nacional e comprometendo severamente a atratividade de Portugal como um hub logístico. Por isso, reiteramos o apelo às autoridades competentes e às entidades responsáveis para que tomem medidas para resolver esta situação insustentável”.
“A economia portuguesa não pode permanecer refém de disfunções operacionais que comprometem a competitividade nacional e beneficiam diretamente mercados concorrentes. A APAT tem enfrentado essa situação crítica de forma persistente, apresentando várias propostas com soluções práticas e imediatas para minimizar os atuais constrangimentos – infelizmente, essas propostas não foram acolhidas”, lamenta a associação, que anseia pela “resolução deste imbróglio que, em um país desenvolvido e que se pretende competitivo, não deveria interessar a ninguém”.









