Aproximadamente uma em cada três pessoas com mais de 80 anos apresenta degeneração macular relacionada à idade (DMRI), uma condição que afeta a retina e leva à perda da visão central. Nos Estados Unidos, cerca de 20 milhões de adultos com 40 anos ou mais vivem atualmente com DMRI. A grande maioria apresenta a forma “seca”, que se desenvolve gradualmente e eventualmente causa dificuldade em ver objetos diretamente à sua frente. Apesar de ser uma das causas mais comuns de comprometimento da visão entre os adultos mais velhos, ainda não existe um tratamento eficaz para a DMRI seca.
Pesquisadores da Universidade Aalto identificaram uma nova abordagem promissora para retardar ou até interromper os estágios iniciais da DMRI seca. Sua abordagem se concentra em reforçar os sistemas de defesa naturais das células retinianas por meio da aplicação de calor controlado, de acordo com o Professor Ari Koskelainen.
“A funcionalidade celular e os mecanismos de proteção enfraquecem com a idade, o que expõe a retina [a superfície interna na parte de trás do olho] a intenso estresse oxidativo”, explica Koskelainen. “Radicais livres de oxigênio danificam proteínas, fazendo com que elas se desdobrem e agreguem, levando ao acúmulo de depósitos de proteínas lipídicas chamados drusen, que são o principal critério diagnóstico da forma seca da degeneração macular relacionada à idade.”
Usando Calor para Induzir a Resposta de Reparação do Olho
O tratamento envolve aquecer cuidadosamente o tecido afetado em vários graus, uma tarefa desafiadora, pois é difícil medir a temperatura atrás da retina. Temperaturas acima de 45 graus Celsius podem danificar o tecido, mas a equipe da Aalto desenvolveu um método que permite o monitoramento em tempo real da temperatura enquanto aquece a área com luz infravermelha próxima. Isso permite um controle preciso e seguro ao usar o calor para ativar as respostas naturais de cura do olho em nível celular.
Quando as proteínas dentro do olho se desdobram incorretamente, as células podem reagir de várias maneiras. Um dos mecanismos envolve as proteínas de choque térmico, que são produzidas em resposta ao estresse e podem ajudar a refazer as proteínas danificadas em sua estrutura original. Se esse processo falhar, as proteínas defeituosas são alvo de degradação em aminoácidos para que possam ser recicladas.
Se já houve acúmulo de proteínas, outro mecanismo chamado autofagia assume. Esse processo, descoberto pelo laureado com o Prêmio Nobel Yoshinori Ohsumi em 2016, envolve o encapsulamento do acúmulo dentro de uma membrana lipídica semelhante à de uma célula. Proteínas de reconhecimento na superfície da membrana sinalizam às enzimas lisossomais para começarem a decompor e remover o material danificado.
“Mostramos que podemos ativar não apenas a produção das proteínas de choque térmico, mas também a autofagia usando os choques térmicos. Esse processo é como a eliminação de resíduos,” diz Koskelainen.
Resultados Promissores e Próximos Passos
A nova técnica já produziu resultados positivos em estudos com animais, envolvendo camundongos e porcos. Ensaios clínicos em humanos estão programados para começar na Finlândia na primavera de 2026. A primeira fase se concentrará na confirmação da segurança do tratamento a laser antes de avançar para determinar com que frequência deve ser repetido para resultados duradouros.
“O tratamento precisa ser repetitivo, já que a resposta pode começar a declinar alguns dias após o tratamento,” acrescenta Koskelainen.
Os resultados foram publicados na Nature Communications em 29 de outubro. A equipe de pesquisa também lançou uma empresa spin-off, a Maculaser, para ajudar a levar a terapia ao uso clínico.
“Um cronograma otimista veria o método já sendo utilizado em clínicas oftalmológicas hospitalares em apenas três anos,” conclui Koskelainen. “O objetivo final é que ele esteja prontamente disponível em seu oftalmologista local.”









