“O que mais nos importa é termos a capacidade de tomar decisões comerciais. Se não conseguirmos gerir a TAP de forma comercial, o nosso interesse torna-se bastante limitado”, afirmou, acrescentando que “normalmente isso requer 51%, 60% ou 70% do capital”.
O CEO da Air France-KLM, Ben Smith, reconheceu que o grupo pode considerar uma participação minoritária na TAP, mas enfatizou que qualquer investimento só será viável se houver garantias de controle sobre a gestão comercial da companhia portuguesa.
Durante uma apresentação em Amesterdão, onde participou remotamente, Ben Smith explicou que “o interesse não é apenas financeiro”, mas sim estratégico.
O executivo ressaltou: “O que mais nos importa é termos a capacidade de tomar decisões comerciais. Se não pudermos gerir a TAP de forma comercial, o nosso interesse torna-se bastante limitado”, acrescentando que “normalmente isso requer 51%, 60% ou 70% do capital”.
No entanto, o CEO admitiu que há modelos alternativos que permitem a obtenção de sinergias e benefícios financeiros sem o controle total, como demonstrado pela Delta, que possui 49% da Virgin e da Aeroméxico.
“Estamos abertos a diferentes estruturas, mas precisamos ter certeza de que conseguimos as sinergias adequadas e que a TAP poderá competir melhor no mercado”, enfatizou.
Quando questionado sobre o possível desejo do Governo português de manter a maioria do capital, Ben Smith mencionou que existem maneiras de “aliviar preocupações”, como compromissos relacionados à proteção da marca e dos empregos, semelhantes aos que foram implementados no caso da KLM em 2004.
Durante a apresentação, que ocorreu na visita aos centros de operação da KLM nos Países Baixos, Ben Smith lembrou que esta é a terceira vez que olham para a aquisição da TAP, devido às mudanças frequentes no governo, e prometeu uma decisão “em breve”.
“Continuamos muito interessados na TAP”, mas “não decidimos internamente se vamos fazer uma oferta formal. Precisamos ter certeza de que estamos em uma posição adequada para avançar”, explicou.
Fundado em 2004, o grupo Air France-KLM surgiu da fusão das companhias francesa e neerlandesa, mantendo centros de decisão em Paris e Amesterdão.
Na semana passada, a Parpública, responsável pelas participações estatais, informou que os interessados na aquisição de até 44,9% do capital da TAP devem enviar sua declaração de interesse por e-mail até às 16h59 do dia 22 de novembro.
O caderno de encargos também estipula que 5% do capital será reservado para os trabalhadores, conforme a Lei das Privatizações, e o futuro comprador terá direito de preferência sobre a parte não subscrita.
Atualmente, o Estado francês possui 28% do capital, enquanto o Estado neerlandês detém 9,1%. Os grupos CMA e China Eastern Airlines seguem, com 8,8% e 4,6%, respectivamente.
Os trabalhadores também estão representados no capital, com 3,1%, e a Delta Air Lines, parceira do grupo em voos para os EUA, possui 2,8%.
De acordo com dados de 2024, o grupo opera voos para 320 destinos em 90 países e emprega cerca de 78 mil pessoas globalmente.









